Enfim ele chegou!
Ele, o tão aguardado, tão desejado ano novo.
2017.
Com ele tudo aquilo que a gente sempre espera quando a Terra completa mais uma volta : cumprir as promessas de dieta, de não brigar tanto com os filhos ou com os pais, de estar mais presente, de beber mais água e de não mais dormir de maquiagem.
Tudo de novo.
De novo o nosso coração se enche de alegria e esperança de tempos melhores e a nossa fé na vida se renova.
Eita sensaçãozinha boa essa, né?
O meu projeto de ano novo (um deles) é que essa sensação se renove a cada dia e que a cada manhã eu acorde com essa mesma fé e esperança dos primeiros dias do ano.
Virar o ano no inverno, ainda que seja este inverno quentinho de Houston é uma experiência diferente.
Aqui não tem o clima bom de férias e aquele céu azulzinho do verão carioca (também não tem o calor escaldante e isso é bom!), não tem a praia no fim do dia mas tem a mesma energia boa nas pessoas. Percebi que isso é universal. A fé em dias melhores é universal e eu acho que isso deve mesmo fazer alguma diferença no astral do mundo.
Tomara!
Tomara que 2017 seja mesmo melhor que 2016.
Tomara que que a Síria encontre a paz e que o Brasil saia do buraco
Tomara que as pessoas parem de repassar as coisas sem checar as fontes e que se amem apesar da ideologia política de cada um
Tomara que Trump e Crivella surpreendam
E que a gente tenha pelo menos um motivo para sorrir até 31 de dezembro.
Para isso é preciso se treinar para olhar as pequenas coisas e sorrir.
É isso que eu desejo para você : que você seja capaz de treinar o seu sorriso diário em 2017.
Feliz ano novo! 😃
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
terça-feira, 11 de outubro de 2016
A boa morte
Em todas as religiões que eu conheço a morte é vista como um renascimento para algo maior. O céu, Valhala, o reino de Deus, o mundo espiritual ou até mesmo o paraíso com sei la quantas virgens. Sendo assim por que é então que a gente não celebra a morte como um prêmio?
Para quem é espírita como eu e acredita que a morte é somente uma passagem, que é como acordar de um sonho (ou um pesadelo, se considerarmos a Terra como um planeta de expiações), a morte deveria ser tão ou mais celebrada que um nascimento, já que nesta situação o espírito está chegando para viver algumas provas e sofrer por um tempinho rodeado desses terríveis sentimentos como inveja e orgulho e na outra está finalmente se libertando de tudo isso para subir mais um degrau na evolução espiritual depois de ter cumprido a missão que foi escolhida por ele mesmo antes de embarcar nesse torpor que é a vida terrena.
Por que então somos tão egoístas em querer que nossos amigos queridos, nossos parentes se privem deste despertar para continuar sofrendo aqui conosco?
Por que esse sentimento de perda , essa dor que chega a ser física em saber que um amigo, que viveu lindamente, com sorrisos e boas ações, que enfrentou a doença do corpo bravamente com resignação e sem jamais perder a fé está prestes a acordar deste pesadelo em um mundo melhor, cheio de luz e completamente curado das dores físicas?
Desde ontem, quando recebi a notícia que minha querida amiga Louise está nos deixando, eu tenho pensado muito nisso e rezado para que os amigos de luz nos amparem e tirem do nosso coração o egoísmo de querer ver aquele sorrisão ao vivo.
O sorriso dela será sempre sentido dentro de nossos corações. Vai ser como se ela estivesse num pernoite mais longo, ou morando longe, como tem sido durante os últimos anos e mesmo assim sabíamos que ela estava iluminando com aquele sorriso onde estivesse.
Ainda será assim! Ela só vai sorrir em outro lugar. Um lugar melhor, com mais sorrisos e mais da vida que ela sempre amou.
Despedidas nunca são fáceis mas são sempre menos doloridas quando a gente sabe que quem vai está embarcando para uma viagem sensacional, às vezes sem volta, mas ainda assim, sensacional!
Eu acredito nisso e quero conseguir ficar feliz de alguma forma, mas por enquanto é só tristeza.
Para quem é espírita como eu e acredita que a morte é somente uma passagem, que é como acordar de um sonho (ou um pesadelo, se considerarmos a Terra como um planeta de expiações), a morte deveria ser tão ou mais celebrada que um nascimento, já que nesta situação o espírito está chegando para viver algumas provas e sofrer por um tempinho rodeado desses terríveis sentimentos como inveja e orgulho e na outra está finalmente se libertando de tudo isso para subir mais um degrau na evolução espiritual depois de ter cumprido a missão que foi escolhida por ele mesmo antes de embarcar nesse torpor que é a vida terrena.
Por que então somos tão egoístas em querer que nossos amigos queridos, nossos parentes se privem deste despertar para continuar sofrendo aqui conosco?Por que esse sentimento de perda , essa dor que chega a ser física em saber que um amigo, que viveu lindamente, com sorrisos e boas ações, que enfrentou a doença do corpo bravamente com resignação e sem jamais perder a fé está prestes a acordar deste pesadelo em um mundo melhor, cheio de luz e completamente curado das dores físicas?
Desde ontem, quando recebi a notícia que minha querida amiga Louise está nos deixando, eu tenho pensado muito nisso e rezado para que os amigos de luz nos amparem e tirem do nosso coração o egoísmo de querer ver aquele sorrisão ao vivo.
O sorriso dela será sempre sentido dentro de nossos corações. Vai ser como se ela estivesse num pernoite mais longo, ou morando longe, como tem sido durante os últimos anos e mesmo assim sabíamos que ela estava iluminando com aquele sorriso onde estivesse.
Ainda será assim! Ela só vai sorrir em outro lugar. Um lugar melhor, com mais sorrisos e mais da vida que ela sempre amou.
Despedidas nunca são fáceis mas são sempre menos doloridas quando a gente sabe que quem vai está embarcando para uma viagem sensacional, às vezes sem volta, mas ainda assim, sensacional!
Eu acredito nisso e quero conseguir ficar feliz de alguma forma, mas por enquanto é só tristeza.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Você consegue?
Há alguns dias eu tenho procurado e procurado inspiração para um post que falasse não só da minha experiência em alguma coisa mas que pudesse levar algo de bom para quem lesse.
Nesses dias eu tenho lido bastante, passado muito tempo no facebook e aí especialmente num grupo de uma dieta que estou seguindo.
Neste grupo muita gente tem reclamando da falta de paciência dos integrantes com as dúvidas, tidas como bobas, de novos usuários e também da falta de tato nas respostas. Percebi que essa falta de tato, ou a falta de uma melhor interpretação das colocações tem sido constante, principalmente nas redes sociais e grupos de whatsapp.
O que acontece é que a escrita não dá o tom. Não é pessoal o suficiente e aí, quem já está ressabiado ou com um pouquinho menos de boa vontade entende a mensagem como bem quer.
Aliás muitas vezes as palavras não são nem bem lidas e a gente já vai tirando as conclusões que quer.
Aconteceu comigo outro dia.
Eu que sou tão chata com o que escrevo, que sempre brigo pedindo para que as pessoas leiam com atenção o que eu escrevo, as instruções dadas num convite ou num email cometi um erro fatal que poderia ter resultado num tremendo mal entendido se não fosse um anjo da guarda que soprou no meu ouvido "mande o email mais tarde"
O caso foi o seguinte : minha mãe me pediu que checasse o valor cobrado pela renovação de um seguro que ela julgava ter vindo muito alto. Enviei um email para a administradora e recebi como resposta um email mal escrito, mas que respondia ao meu questionamento de certa maneira mas não da maneira que eu esperava. Imediatamente comecei a digitar uma resposta malcriada, cheia de "exijo isso", "de acordo com a lei XXX", "é um absurdo!"... sem perceber que ao final do email a moça esclarecia que, tal seguro já havia sido renovado automaticamente, pois o contrato assim previa se eu não manifestasse vontade contrária 60 dias antes do vencimento.
Por sorte, não apertei o "enviar" e bem depois, quando fui checar a mensagem para ter certeza de que eu tinha rebatido todos os argumentos da insolente moça, percebi que o erro era meu! Que eu deveria ter checado antes os termos e que, no fim das contas, o valor cobrado este ano foi exatamente o mesmo do ano passado.
Por fim substitui todos os "exijo" por "será que existe a possibilidade de..." o "é um absurdo" por "entendo que talvez seja tarde demais, mas..." e apertei o enviar, com o sincero sentimento de me desculpar por ter me julgado tão dona da verdade e cheia de razão quando eu estava redondamente enganada.
Com este episódio recente passei a prestar ainda mais atenção ao que me escrevem e ao que eu escrevo. Tenho procurado ler e reler para ter certeza que não posso ser mal interpretada, para não parecer grosseira e, principalmente tenho procurado falar, de preferência ao vivo, quando o assunto é delicado.
Com o whatsapp e as redes sociais a gente perdeu o hábito de telefonar, de ouvir o tom da voz, a respiração e aflição ou a felicidade na voz do interlocutor. Mesmo as mensagens gravadas não trazem o mesmo ritmo, a mesma paciência de esperar o outro completar a frase, concluir o raciocínio.
Quantas vezes você já não começou a digitar a resposta enquanto ainda está escutando a mensagem de voz gravada? Quantas vezes você já não julgou que "fulano foi sem noção quando escreveu isso ou aquilo" sem ter lido e relido o que o fulano escreveu ou sem ter olhado do ponto de vista do fulano?
Quantas vezes não foi você a vítima do mal entendido? E quantas vezes você nem soube que alguém não entendeu bem a sua mensagem e não teve a oportunidade de se retratar ou de esclarecer?
Aposto que, como eu, você já passou por isso algumas vezes e que não gostaria de se ver novamente nessa situação.
Então, da próxima vez que você for comentar um post no facebook, responder uma mensagem no whatsapp, um email, não vá com tanta sede ao pote. Releia, repense, pergunte, LIGUE se for possível e não julgue que sabe o que o outro "quis dizer com isso".
Não será a solução para todos os seus problemas e você também não vai conseguir que todas as pessoas ajam da mesma forma com você mas já é um começo e toda caminhada começa com um primeiro passo.
Mais amor por favor!
Bom fim de semana!
Nesses dias eu tenho lido bastante, passado muito tempo no facebook e aí especialmente num grupo de uma dieta que estou seguindo.
Neste grupo muita gente tem reclamando da falta de paciência dos integrantes com as dúvidas, tidas como bobas, de novos usuários e também da falta de tato nas respostas. Percebi que essa falta de tato, ou a falta de uma melhor interpretação das colocações tem sido constante, principalmente nas redes sociais e grupos de whatsapp.
O que acontece é que a escrita não dá o tom. Não é pessoal o suficiente e aí, quem já está ressabiado ou com um pouquinho menos de boa vontade entende a mensagem como bem quer.
Aliás muitas vezes as palavras não são nem bem lidas e a gente já vai tirando as conclusões que quer.
Aconteceu comigo outro dia.
Eu que sou tão chata com o que escrevo, que sempre brigo pedindo para que as pessoas leiam com atenção o que eu escrevo, as instruções dadas num convite ou num email cometi um erro fatal que poderia ter resultado num tremendo mal entendido se não fosse um anjo da guarda que soprou no meu ouvido "mande o email mais tarde"
O caso foi o seguinte : minha mãe me pediu que checasse o valor cobrado pela renovação de um seguro que ela julgava ter vindo muito alto. Enviei um email para a administradora e recebi como resposta um email mal escrito, mas que respondia ao meu questionamento de certa maneira mas não da maneira que eu esperava. Imediatamente comecei a digitar uma resposta malcriada, cheia de "exijo isso", "de acordo com a lei XXX", "é um absurdo!"... sem perceber que ao final do email a moça esclarecia que, tal seguro já havia sido renovado automaticamente, pois o contrato assim previa se eu não manifestasse vontade contrária 60 dias antes do vencimento.
Por sorte, não apertei o "enviar" e bem depois, quando fui checar a mensagem para ter certeza de que eu tinha rebatido todos os argumentos da insolente moça, percebi que o erro era meu! Que eu deveria ter checado antes os termos e que, no fim das contas, o valor cobrado este ano foi exatamente o mesmo do ano passado.
Por fim substitui todos os "exijo" por "será que existe a possibilidade de..." o "é um absurdo" por "entendo que talvez seja tarde demais, mas..." e apertei o enviar, com o sincero sentimento de me desculpar por ter me julgado tão dona da verdade e cheia de razão quando eu estava redondamente enganada.
Com este episódio recente passei a prestar ainda mais atenção ao que me escrevem e ao que eu escrevo. Tenho procurado ler e reler para ter certeza que não posso ser mal interpretada, para não parecer grosseira e, principalmente tenho procurado falar, de preferência ao vivo, quando o assunto é delicado.
Com o whatsapp e as redes sociais a gente perdeu o hábito de telefonar, de ouvir o tom da voz, a respiração e aflição ou a felicidade na voz do interlocutor. Mesmo as mensagens gravadas não trazem o mesmo ritmo, a mesma paciência de esperar o outro completar a frase, concluir o raciocínio.
Quantas vezes você já não começou a digitar a resposta enquanto ainda está escutando a mensagem de voz gravada? Quantas vezes você já não julgou que "fulano foi sem noção quando escreveu isso ou aquilo" sem ter lido e relido o que o fulano escreveu ou sem ter olhado do ponto de vista do fulano?
Quantas vezes não foi você a vítima do mal entendido? E quantas vezes você nem soube que alguém não entendeu bem a sua mensagem e não teve a oportunidade de se retratar ou de esclarecer?
Aposto que, como eu, você já passou por isso algumas vezes e que não gostaria de se ver novamente nessa situação.
Então, da próxima vez que você for comentar um post no facebook, responder uma mensagem no whatsapp, um email, não vá com tanta sede ao pote. Releia, repense, pergunte, LIGUE se for possível e não julgue que sabe o que o outro "quis dizer com isso".
Não será a solução para todos os seus problemas e você também não vai conseguir que todas as pessoas ajam da mesma forma com você mas já é um começo e toda caminhada começa com um primeiro passo.
Mais amor por favor!
Bom fim de semana!
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Para elas!
Agora há pouco, um "concurso" numa página de aspirantes a escritores que sigo no facebook pediu para que postássemos uma foto do que nos inspirava a escrever.
Não é uma tarefa fácil! Tanta coisa me inspira! Minha família, as paisagens que eu vejo, o passarinho que canta no meu quintal, as crianças que eu tive e tenho o prazer de conviver - até as que não são mais crianças...
Bom, fui eu procurar no Google fotos uma que refletisse isso.
São centenas de momentos felizes retratados. Só esta busca já valeu o dia e me inspirou, mas entre todas essas achei uma imagem realmente inspiradora.
Entre lugares lindos que visitei, fotos de família, natais, casamentos, baladas achei esta
Não é uma tarefa fácil! Tanta coisa me inspira! Minha família, as paisagens que eu vejo, o passarinho que canta no meu quintal, as crianças que eu tive e tenho o prazer de conviver - até as que não são mais crianças...
Bom, fui eu procurar no Google fotos uma que refletisse isso.
São centenas de momentos felizes retratados. Só esta busca já valeu o dia e me inspirou, mas entre todas essas achei uma imagem realmente inspiradora.
Entre lugares lindos que visitei, fotos de família, natais, casamentos, baladas achei esta
Uma foto tirada num dia que tinha tudo para ser triste.
Era meu aniversário, eu tinha acabado um namoro há 4 dias e sido mandada embora há 3.
Eu sempre adorei comemorar meu aniversário mas neste eu não tinha muito o que celebrar. Queria ficar em casa chorando e elas não deixaram. Me fizeram sorrir, falaram besteiras, levaram um bolinho.
Ficamos ali no bar, na rua, rindo e celebrando uma amizade que ultrapassa os limites desta vida até altas horas.
Elas! Sempre elas!
Nem sempre o grupo está completo (na foto não está) mas sempre há sorrisos, mesmo que o motivo do encontro seja enxugar lágrimas.
Elas me inspiram e eu morro de saudades de ouvir essas gargalhadas (e broncas e choros) ao vivo!
Que sorte eu tenho de te-las na minha vida!
Amor que não tem fim!
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Labor day
Hoje é o dia do trabalho nos Estados Unidos, um país onde se tem trabalho! Onde as pessoas são dignamente pagas para fazer qualquer trabalho!
Aqui também é feriado, mas quase todo o comércio está aberto, porque há demanda, porque a economia gira.
Acordei hoje pensando nas diferenças deste dia aqui e no Brasil. Em tempos onde alguém ousa discutir a péssima e engessada legislação trabalhista brasileira, fruto de um populismo barato que só burocratiza, onera e faz a taxa de emprego despencar.
Tenho visto um monte de gente falando em querem tirar os direitos conquistados pelo trabalhador".. blablabla.. primeiro que eu não considero que o FGTS seja propriamente um "direito"... que direito é esse que eu, dona do dinheiro não posso escolher onde aplicá-lo e preciso do aval do governo para usufruir do MEU dinheiro, que é absurdamente mal remunerado enquanto descansa em berço esplêndido na Caixa Econômica federal?
E que direito é esse de uma aposentadoria pífia, que até em discurso pedindo a manutenção dos direitos políticos da presidEnte é escancaradamente dita insuficiente ( e olha que estavam falando de uma aposentaria incomum, de 5 mil reais!)
Dignidade não é manter "direitos" duvidosos. Dignidade é pagar bem!
Dignidade é ter um trabalho que pague suas contas. Dignidade é não ter essa de sub-emprego.
Aqui minha faxineira cobra $100 dólares por faxina, faz 2 por dia. O carro dela é tão bom quanto o meu, ela mora perto da minha casa, uma área nobre de Houston. Fomos juntas a um show do Guns n' Roses - eu de arquibancada, ela de pista VIP.
Aqui , se eu quiser fazer a unha em salão, pago bem pelo serviço. Hoje, dia do trabalho, o salão estava cheio e eu deixei lá $57 dólares para ter pés e mãos alisados, cutilados e unhas pintadas por outra pessoa.
Aqui o jardineiro ganha bem, o atendente do McDonald ganha o suficiente para se manter e ninguém, sente falta de 13o. salário - até porque o salário normalmente é pago por semana e se você dividir o ano em semanas, verá que o décimo terceiro só regula essa conta.
"Ahhh mas não tem 1/3 de férias!" É verdade... não tem, mas as passagens de avião são baratas, as estradas excelentes, com o dinheiro que você ganha, você consegue passar férias incríveis!
Aqui também não tem essa de "garantia", de indenização por demissão sem justa causa. Se algum lado não está satisfeito, bye bye! A diferença é que eu não conheço ninguém que tenha ficado muito tempo desempregado, porque se você quiser trabalhar, você trabalha!
Ano passado, quando chegamos aqui ficamos impressionados como em quase todos os lugares que entrávamos tinha uma plaquinha de "We are hiring" - "estamos contratando", enquanto via estarrecida no facebook um post de um menino que andava por Ipanema em 2 quarteirões fotografou 80 lojas com a plaquinha "passo o ponto" ou "vende-se/ aluga-se"
Crise das comodites? Não caio nessa! Irresponsabilidade e falta de respeito com o trabalhador e principalmente com o ser humano, isso sim!
Ontem, num papo acalorado me desejaram "boa sorte", por eu acreditar que o "superimperialismo" e as privatizações trazem mais benefícios e empregos do que "maldade", e eu repito aqui a minha resposta para isso :
Num lugar onde se tem trabalho, a sorte não é artigo de primeira necessidade!
Torço muito para que o povo brasileiro, que nunca teve medo de trabalhar (vide a quantidade de gente na informalidade), perceba que esses "direitos" não farão nenhuma falta quando o direito maior de poder usufruir como quiser do SEU dinheiro e, principalmente, ter este sempre no seu bolso.
É claro que só a reforma não mudará a maneira como se olha e quanto se paga por certos trabalhos, mas acredito que seja um começo.
E quando as pessoas começarem a acreditar que é possível viver muito bem sem a "proteção" do Estado, deixando este cuidar só do que realmente lhe diz respeito, aí sim o dia do trabalho poderá ser comemorado de verdade.
Aqui também é feriado, mas quase todo o comércio está aberto, porque há demanda, porque a economia gira.
Acordei hoje pensando nas diferenças deste dia aqui e no Brasil. Em tempos onde alguém ousa discutir a péssima e engessada legislação trabalhista brasileira, fruto de um populismo barato que só burocratiza, onera e faz a taxa de emprego despencar.
Tenho visto um monte de gente falando em querem tirar os direitos conquistados pelo trabalhador".. blablabla.. primeiro que eu não considero que o FGTS seja propriamente um "direito"... que direito é esse que eu, dona do dinheiro não posso escolher onde aplicá-lo e preciso do aval do governo para usufruir do MEU dinheiro, que é absurdamente mal remunerado enquanto descansa em berço esplêndido na Caixa Econômica federal?
E que direito é esse de uma aposentadoria pífia, que até em discurso pedindo a manutenção dos direitos políticos da presidEnte é escancaradamente dita insuficiente ( e olha que estavam falando de uma aposentaria incomum, de 5 mil reais!)
Dignidade não é manter "direitos" duvidosos. Dignidade é pagar bem!
Dignidade é ter um trabalho que pague suas contas. Dignidade é não ter essa de sub-emprego.
Aqui minha faxineira cobra $100 dólares por faxina, faz 2 por dia. O carro dela é tão bom quanto o meu, ela mora perto da minha casa, uma área nobre de Houston. Fomos juntas a um show do Guns n' Roses - eu de arquibancada, ela de pista VIP.
Aqui , se eu quiser fazer a unha em salão, pago bem pelo serviço. Hoje, dia do trabalho, o salão estava cheio e eu deixei lá $57 dólares para ter pés e mãos alisados, cutilados e unhas pintadas por outra pessoa.
Aqui o jardineiro ganha bem, o atendente do McDonald ganha o suficiente para se manter e ninguém, sente falta de 13o. salário - até porque o salário normalmente é pago por semana e se você dividir o ano em semanas, verá que o décimo terceiro só regula essa conta.
"Ahhh mas não tem 1/3 de férias!" É verdade... não tem, mas as passagens de avião são baratas, as estradas excelentes, com o dinheiro que você ganha, você consegue passar férias incríveis!
Aqui também não tem essa de "garantia", de indenização por demissão sem justa causa. Se algum lado não está satisfeito, bye bye! A diferença é que eu não conheço ninguém que tenha ficado muito tempo desempregado, porque se você quiser trabalhar, você trabalha!
Ano passado, quando chegamos aqui ficamos impressionados como em quase todos os lugares que entrávamos tinha uma plaquinha de "We are hiring" - "estamos contratando", enquanto via estarrecida no facebook um post de um menino que andava por Ipanema em 2 quarteirões fotografou 80 lojas com a plaquinha "passo o ponto" ou "vende-se/ aluga-se"
Crise das comodites? Não caio nessa! Irresponsabilidade e falta de respeito com o trabalhador e principalmente com o ser humano, isso sim!
Ontem, num papo acalorado me desejaram "boa sorte", por eu acreditar que o "superimperialismo" e as privatizações trazem mais benefícios e empregos do que "maldade", e eu repito aqui a minha resposta para isso :
Num lugar onde se tem trabalho, a sorte não é artigo de primeira necessidade!
Torço muito para que o povo brasileiro, que nunca teve medo de trabalhar (vide a quantidade de gente na informalidade), perceba que esses "direitos" não farão nenhuma falta quando o direito maior de poder usufruir como quiser do SEU dinheiro e, principalmente, ter este sempre no seu bolso.
É claro que só a reforma não mudará a maneira como se olha e quanto se paga por certos trabalhos, mas acredito que seja um começo.
E quando as pessoas começarem a acreditar que é possível viver muito bem sem a "proteção" do Estado, deixando este cuidar só do que realmente lhe diz respeito, aí sim o dia do trabalho poderá ser comemorado de verdade.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Com dinheiro é mole!
Sabe aquela expressão "com dinheiro é mole?" Então...nestas olimpíadas do Rio ela ficou muito, muito clara!
A gente usou essa expressão para falar da Carla Perez quando notamos a sua transformação. E também da mulher do Zezé Di Camargo e de tantos outros e outras que se valeram do dinheiro para melhorar a sua imagem ou dar uma festa de arromba.
A diferença entre esses casos e o caso das olimpíadas é que nas olimpíadas a gente não tinha o tal dinheiro.
Que a festa seria um sucesso, linda e que todos amariam estar no Rio ninguém duvidava. Nem os ditos "torcedores do contra", porque todos concordam que se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer é festa e que se há no mundo uma cidade que é gigante pela própria natureza, esta cidade é o Rio.
O que a turma da crítica, e eu me incluo aí, queria era que a festa não fosse só espetacular. Queríamos que fosse certa, responsável e dentro do orçamento. E disso, minha gente, passou longe!
Eu, como carioca, bairrista, tão apaixonada pela cidade que tenho tatuada sua paisagem na pele, queria ter visto muito mais que a maquiagem que vi pela tv.
Eu queria que a PM tivesse na rua, orgulhosa, com salário em dia e que não fosse preciso chamar a força nacional com seus fuzis e soldados que aparentavam rezar para não ter que usá-los. Queria que as estações do metrô da Barra estivem prontas e servindo a todos e não só a quem tinha o RIOCard olímpico.
Queria que os trens que vão para Belford Roxo e Japeri fossem os mesmos que levaram o mundo até o Engenhão nesses dias. Queria o Engenhão e o Maracanã seguros sempre!
Queria a Baía de Guanabara despoluída como tinham prometido, queria a "ala" nova doMiguel Couto Souza Aguiar, destinada a "emergências olímpicas" disponível p'ro cara que leva um tiro de bala perdida. Queria que não tivesse bala perdida, mas isso aí é um outro passo...
Mas principalmente eu queria não ter 120 milhões de conta pra pagar, além de tudo que já foi pago.
Conta que me levou a escrever este post quando ouvi (li) de uma amigo querido que "isso não interessava mais"
Ainda quero acreditar que isso foi só uma maneira (torta) de me dizer do jeitinho dele, com sotaque, aquele "relaaaaaxa Taninha" que ele costumava me dizer sempre que eu indignava (é, eu SEMPRE me indignei) com as coisas erradas que via.
Mas a verdade é que talvez ele realmente ache que essa conta não interessa, porque ele faz parte da pequeníssima parcela que não vai pagar essa conta.
Da galera que pagou em euro para as baladas animadíssimas nas "casas" dos países europeus, da galera que curtiu de verdade a festa, que interagia com os turistas, que vive a parte maneira do Rio, que mora pertinho da praia. Da galera que eu fazia parte. Mas eu já vi muito do outro lado. O lado da galera que vai pagar a conta.
O pessoal lá de Santa Cruz, da favela de Antares e do Rola, onde eu dei aula, que continua convivendo com tiroteios diários e continua com 1 , isso mesmo só UMA linha de ônibus passando por lá.
O pessoal que precisa e que vai continuar precisando da UPA e do posto de saúde sem médico e sem remédio, porque parte do dinheiro que deveria ir para o salário dos médicos, funcionários e para os remédios vai pagar o Boulevard Olímpico, o marido da minha prima que está e deve continuar desempregado porque o país está numa crise sem tamanho e o desemprego só cresce, a minha sogra que é aposentada do Estado do RJ e está até hoje com o 13o. do ano passado atrasado até hoje, a dona Maria que foi desalojada da Vila Autódromo e todos os outros 99.8% dos moradores da cidade olímpica. É essa a galera que vai pagar cada centavo dessa conta, com juros, suor e lágrimas.
"O povo voltou a sonhar" ele me disse (escreveu) e eu respondi que achava que sonho nunca faltou ao brasileiro. O que falta é exatamente o contrário, parar de sonhar e agir, cobrar. Falta querer e fazer o Rio lindo de baixo também, do asfalto sem flanelinha, da calçada sem criança dormindo e roubando.
Eu também amo a festa! Esperava ansiosa por fevereiro, mas sempre soube o que eu precisava fazer nos outros 11 meses do ano.
Eu não torço e nunca torci contra. Ao contrário! Torço a favor! A favor de que o meu povo se liberte do Circo e aprenda a cultivar o próprio pão.
A gente usou essa expressão para falar da Carla Perez quando notamos a sua transformação. E também da mulher do Zezé Di Camargo e de tantos outros e outras que se valeram do dinheiro para melhorar a sua imagem ou dar uma festa de arromba.
A diferença entre esses casos e o caso das olimpíadas é que nas olimpíadas a gente não tinha o tal dinheiro.
Que a festa seria um sucesso, linda e que todos amariam estar no Rio ninguém duvidava. Nem os ditos "torcedores do contra", porque todos concordam que se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer é festa e que se há no mundo uma cidade que é gigante pela própria natureza, esta cidade é o Rio.
O que a turma da crítica, e eu me incluo aí, queria era que a festa não fosse só espetacular. Queríamos que fosse certa, responsável e dentro do orçamento. E disso, minha gente, passou longe!
Eu, como carioca, bairrista, tão apaixonada pela cidade que tenho tatuada sua paisagem na pele, queria ter visto muito mais que a maquiagem que vi pela tv.
Eu queria que a PM tivesse na rua, orgulhosa, com salário em dia e que não fosse preciso chamar a força nacional com seus fuzis e soldados que aparentavam rezar para não ter que usá-los. Queria que as estações do metrô da Barra estivem prontas e servindo a todos e não só a quem tinha o RIOCard olímpico.
Queria que os trens que vão para Belford Roxo e Japeri fossem os mesmos que levaram o mundo até o Engenhão nesses dias. Queria o Engenhão e o Maracanã seguros sempre!
Queria a Baía de Guanabara despoluída como tinham prometido, queria a "ala" nova do
Mas principalmente eu queria não ter 120 milhões de conta pra pagar, além de tudo que já foi pago.
Conta que me levou a escrever este post quando ouvi (li) de uma amigo querido que "isso não interessava mais"
Ainda quero acreditar que isso foi só uma maneira (torta) de me dizer do jeitinho dele, com sotaque, aquele "relaaaaaxa Taninha" que ele costumava me dizer sempre que eu indignava (é, eu SEMPRE me indignei) com as coisas erradas que via.
Mas a verdade é que talvez ele realmente ache que essa conta não interessa, porque ele faz parte da pequeníssima parcela que não vai pagar essa conta.
Da galera que pagou em euro para as baladas animadíssimas nas "casas" dos países europeus, da galera que curtiu de verdade a festa, que interagia com os turistas, que vive a parte maneira do Rio, que mora pertinho da praia. Da galera que eu fazia parte. Mas eu já vi muito do outro lado. O lado da galera que vai pagar a conta.
O pessoal lá de Santa Cruz, da favela de Antares e do Rola, onde eu dei aula, que continua convivendo com tiroteios diários e continua com 1 , isso mesmo só UMA linha de ônibus passando por lá.
O pessoal que precisa e que vai continuar precisando da UPA e do posto de saúde sem médico e sem remédio, porque parte do dinheiro que deveria ir para o salário dos médicos, funcionários e para os remédios vai pagar o Boulevard Olímpico, o marido da minha prima que está e deve continuar desempregado porque o país está numa crise sem tamanho e o desemprego só cresce, a minha sogra que é aposentada do Estado do RJ e está até hoje com o 13o. do ano passado atrasado até hoje, a dona Maria que foi desalojada da Vila Autódromo e todos os outros 99.8% dos moradores da cidade olímpica. É essa a galera que vai pagar cada centavo dessa conta, com juros, suor e lágrimas.
"O povo voltou a sonhar" ele me disse (escreveu) e eu respondi que achava que sonho nunca faltou ao brasileiro. O que falta é exatamente o contrário, parar de sonhar e agir, cobrar. Falta querer e fazer o Rio lindo de baixo também, do asfalto sem flanelinha, da calçada sem criança dormindo e roubando.
Eu também amo a festa! Esperava ansiosa por fevereiro, mas sempre soube o que eu precisava fazer nos outros 11 meses do ano.
Eu não torço e nunca torci contra. Ao contrário! Torço a favor! A favor de que o meu povo se liberte do Circo e aprenda a cultivar o próprio pão.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
A amiga que está casando com ela mesma
Outro dia uma amiga me escreveu indignada com o machismo promovido por uma loja de departamentos.
Ela estava coberta de razão, era de fato um caso de machismo. Um machismo desses que a gente vê por aí todos os dias e nem se dá conta, ou até se dá mas já estamos tão acostumados a ele que nem damos muita bola.
Pois é, minha amiga deu! Ela estava sendo vítima desse machismo meio velado e tão comum.
O caso foi o seguinte : Minha amiga está indo morar sozinha, realizando um sonho antigo.
Depois de alguns anos de percalço e sofrimento, de uma separação dolorida, desemprego, frustrações ela finalmente achou um cantinho com a cara dela, no lugar onde queria e num preço razoável. Sim, porque no estado em que está a cidade do Rio com a violência batendo à porta de novo e este circo de olimpíadas, os preços dos imóveis estão longe do condizente com a realidade.
Enfim, ela achou e como de praxe quis fazer um open house/ chá de panela para comemorar e complementar a decoração e o acervo de utilidades domésticas com a ajuda dos amigos.
Até aí tudo na mais perfeita ordem.
Uma outra amiga, que ajudava a organizar a lista de presentes e a bagunça a ser feita na casa nova, sugeriu que elas se valessem da santa facilidade que a tecnologia nos oferece e fizesse uma lista virtual de sugestões de presentes, numa dessa lojas de departamentos. Animada, lá foi ela procurar no site da tal loja como fazer.
Primeiro passo : cadastro. E foi exatamente aí que o bicho pegou.
Nome do noivo :_______
???? oi??? que noivo?
"ok, vou deixar em branco e continuar"
Data do evento : ok!
Data do casamento: ______
??? oi??? que casamento meu amigo?
Não tem noivo, nem casamento! É um OPEN HOUSE!
OPEN HOUSE e não uma lista de casamento.
Ela então pacientemente voltou ao menu principal julgando ter cometido algum erro e clicado na lista errada - já que havia a opção "lista de casamento"
Não, ela tinha clicado na lista certa. Naquela que dizia "Open House"
Então porque diabos eles estavam pedindo nome do noivo e data do casamento?
Por acaso a pessoa não pode estar dando um open house justamente porque se separou? Ou, como no caso dela está indo morar sozinha?
À primeira vista pode parecer mimimi de feminazi todo esse papo de machismo e respeito ao direito de querer fazer um chá de panelas (título que por si só já é machista, afinal, nem só de panelas é feita uma casa de mulher!) para ir morar sozinha. Pensamento do qual eu muitas vezes compartilho - acho mesmo que há muito mimimi em certos discursos, mas desta vez eu tomei as dores e parei pra pensar que isso é machismo sim!
É claro que não vale um protesto com peitos de fora na frente da Camicado do Barra Shopping, mas vale sim uma reclamação no site, um textão no facebook e um post no blog da amiga (que andava muito relapsa com a atualização do blog).
A gente se acostumou a pensar que "menina só sai de casa pra casar" e mesmo esta não sendo a realidade há tempos, continuamos com isso na cabeça.
"ahhh tá procurando apartamento! vai casar?" "ahhh, chá de panela!!! Vai casar?" "ahhh está namorando! Vai casar?"
Por que a gente tem que casar para ter um apartamento, um open house ou um relacionamento feliz?
Aposto que homens não escutam "vai casar?" com tanta frequência. Nem quando procuram apartamentos, nem quando chamam os amigos para conhecer o novo apartamento - que aliás, no caso deles ainda é tratado muitas vezes como "abatedouro" - como se as mulheres que escolhessem ir passar a noite com eles lá, não estão fazendo isso por escolha própria e talvez não levando eles para a casa delas por não quererem nenhum tipo de envolvimento a mais do que aquela noite - nada de telefone! nada de saber onde eu moro!
Mas isso é outro papo! O assunto da vez é a campanha para que os sites das lojas de departamento e presentes, não vinculem a lista de open house a uma figura masculina, a um casal hetero (até porque casais gays também fazem open house!) ou até mesmo ao evento "casamento". E principalmente a mudança de pensamento sobre essa relação estranha entre sucesso, casa nova e casamento
Ninguém precisa casar para ter casa nova! E muito menos de noivo para fazer open house!
P.s.: Minha amiga escreveu um email para o SAC da #camicado e eles responderam dizendo que o "cadastro estava normalizado". Chequei no site antes de publicar este post e notei que eles também já repararam o erro, colocando na lista de open house somente os campos ¨nome do anfitrião e data do evento". Parabéns!
Ela estava coberta de razão, era de fato um caso de machismo. Um machismo desses que a gente vê por aí todos os dias e nem se dá conta, ou até se dá mas já estamos tão acostumados a ele que nem damos muita bola.
Pois é, minha amiga deu! Ela estava sendo vítima desse machismo meio velado e tão comum.
O caso foi o seguinte : Minha amiga está indo morar sozinha, realizando um sonho antigo.
Depois de alguns anos de percalço e sofrimento, de uma separação dolorida, desemprego, frustrações ela finalmente achou um cantinho com a cara dela, no lugar onde queria e num preço razoável. Sim, porque no estado em que está a cidade do Rio com a violência batendo à porta de novo e este circo de olimpíadas, os preços dos imóveis estão longe do condizente com a realidade.
Enfim, ela achou e como de praxe quis fazer um open house/ chá de panela para comemorar e complementar a decoração e o acervo de utilidades domésticas com a ajuda dos amigos.
Até aí tudo na mais perfeita ordem.
Uma outra amiga, que ajudava a organizar a lista de presentes e a bagunça a ser feita na casa nova, sugeriu que elas se valessem da santa facilidade que a tecnologia nos oferece e fizesse uma lista virtual de sugestões de presentes, numa dessa lojas de departamentos. Animada, lá foi ela procurar no site da tal loja como fazer.
Primeiro passo : cadastro. E foi exatamente aí que o bicho pegou.
Nome do noivo :_______
???? oi??? que noivo?
"ok, vou deixar em branco e continuar"
Data do evento : ok!
Data do casamento: ______
??? oi??? que casamento meu amigo?
Não tem noivo, nem casamento! É um OPEN HOUSE!
OPEN HOUSE e não uma lista de casamento.
Ela então pacientemente voltou ao menu principal julgando ter cometido algum erro e clicado na lista errada - já que havia a opção "lista de casamento"
Não, ela tinha clicado na lista certa. Naquela que dizia "Open House"
Então porque diabos eles estavam pedindo nome do noivo e data do casamento?
Por acaso a pessoa não pode estar dando um open house justamente porque se separou? Ou, como no caso dela está indo morar sozinha?
À primeira vista pode parecer mimimi de feminazi todo esse papo de machismo e respeito ao direito de querer fazer um chá de panelas (título que por si só já é machista, afinal, nem só de panelas é feita uma casa de mulher!) para ir morar sozinha. Pensamento do qual eu muitas vezes compartilho - acho mesmo que há muito mimimi em certos discursos, mas desta vez eu tomei as dores e parei pra pensar que isso é machismo sim!
É claro que não vale um protesto com peitos de fora na frente da Camicado do Barra Shopping, mas vale sim uma reclamação no site, um textão no facebook e um post no blog da amiga (que andava muito relapsa com a atualização do blog).
A gente se acostumou a pensar que "menina só sai de casa pra casar" e mesmo esta não sendo a realidade há tempos, continuamos com isso na cabeça.
"ahhh tá procurando apartamento! vai casar?" "ahhh, chá de panela!!! Vai casar?" "ahhh está namorando! Vai casar?"
Por que a gente tem que casar para ter um apartamento, um open house ou um relacionamento feliz?
Aposto que homens não escutam "vai casar?" com tanta frequência. Nem quando procuram apartamentos, nem quando chamam os amigos para conhecer o novo apartamento - que aliás, no caso deles ainda é tratado muitas vezes como "abatedouro" - como se as mulheres que escolhessem ir passar a noite com eles lá, não estão fazendo isso por escolha própria e talvez não levando eles para a casa delas por não quererem nenhum tipo de envolvimento a mais do que aquela noite - nada de telefone! nada de saber onde eu moro!
Mas isso é outro papo! O assunto da vez é a campanha para que os sites das lojas de departamento e presentes, não vinculem a lista de open house a uma figura masculina, a um casal hetero (até porque casais gays também fazem open house!) ou até mesmo ao evento "casamento". E principalmente a mudança de pensamento sobre essa relação estranha entre sucesso, casa nova e casamento
Ninguém precisa casar para ter casa nova! E muito menos de noivo para fazer open house!
P.s.: Minha amiga escreveu um email para o SAC da #camicado e eles responderam dizendo que o "cadastro estava normalizado". Chequei no site antes de publicar este post e notei que eles também já repararam o erro, colocando na lista de open house somente os campos ¨nome do anfitrião e data do evento". Parabéns!
Assinar:
Postagens (Atom)
RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR!
RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR! : Hoje é dia de São Valentim, santo que celebrava casamentos numa época em que el...
-
RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR! : Hoje é dia de São Valentim, santo que celebrava casamentos numa época em que el...
-
O rapadura está ficando chiquérrimo! O post de hoje é de uma cronista convidada!!! Amiga queridíssima - Rainha da Cocada Preta - que como...
-
Este fim de semana ouvi uma frase que eu jamais pensaria escutar de um cara com mais de 30, morador da zona sul do Rio de Janeiro, bem educa...





