sexta-feira, 16 de maio de 2014

Eu só quero é ser feliz!

Se tem uma coisa que minha mãe ensinou e eu realmente aprendi foi admitir meus erros.
Eu odeio!  Odeio estar errada,  mas quando estou, sei admitir e me desculpar.
"Desculpa alivia a consciência de quem faz mas não alivia a dor de quem sente" -me disse um namorado uma vez e eu nunca mais esqueci.

Acho que ele até tem certa razão e eu sempre penso nisso quando preciso me desculpar - o que, acreditem torna o "sinto muito" muito mais sincero. Mas estar com a consciência tranquila também não é nada mau,  mesmo que o outro não te perdoe, você tentou, se arrependeu e pra mim,  isso vale muito.
Prova disso me aconteceu hoje.
Logo no meu primeiro voo do dia o despachante anunciou :
-temos 2 pets . Estão com um casal e eles estão separados.
(É regra que animais só viajem na janela)
- Você avisou p eles que eles precisarão  ficar separados o voo todo, né?  - perguntei prevendo que os pombinhos sentariam juntos .
Depois da afirmativa do rapaz o embarque seguiu sem maiores problemas e o voo tambem ate que... o esperado aconteceu: durante o serviço de bordo percebemos que lá estava o casal lado a lado e com os caezinhos em seus colos.
Fui assertiva e lhes disse que eles não poderiam estar juntos,  que foi avisado no Check-in, blablabla e pedi  que voltassem aos seus lugares de origem.
O passageiro ao lado, que nada tinha a ver com a história se doeu e me acusou de  estar usando do meu "pequeno poder" para tornar a viagem daquele "pobre casal" ( que estava desrespeitando regras claras de segurança) desagradável.
Respondi que eu nao ia colocar em risco a viagem de outros 105 passageiros só para tornar agradavel a viagem de 2.
Ele me pediu para ver "onde estava escrito isso" e um formulário de reclamação.
Fui procurar o documento que ditava tal regra - eu sabia que ele existia!
Procura daqui, procura dali. .. nada! Em lugar nenhum "estava escrito".
Lembrei do que mina mãe me ensinou e levei até ele o formulário de reclamação , juntamente com um pedido de desculpas ao casal
" Senhores,  eu disse a vocês que não poderiam ficar juntos e tenho minhas razões,  porém como não encontro embasamento para a a minha afirmação,  peço desculpas pelo transtorno. Aqui está o formulário"
E saí.
-caramba! Esse cara vai te reportar! Que droga!  Diziam os outros tripulantes.
-Gente, fiz o que tinha que fazer! Segui o treinamento que me foi dado e quando vi que estava "errada", ou sem respaldo, me desculpei! O chefe vai me chamar e eu vou explicar...paciência!
O senhor ficou com o formulário nas mãos ate o  fim do voo e me entregou no desembarque.
" Parabéns pela atitude!
Questionamento e Humildade -este é o caminho" -estava escrito.
Nem acreditei!
A reclamação virou elogio.
Logo depois achamos o documento que me dava razão!
No fundo fiquei feliz em não ter achado antes, pois como diz um outro ditado : MAIS VALE SER FELIZ DO QUE TER RAZÃO !

sexta-feira, 9 de maio de 2014

NÃO ME DEIXE SÓ! EU TENHO MEDO DO ESCURO!

Estou ficando cansada disso!
Está cada vez mais frequente essa sua mania de ir e vir a hora que bem entende.
Estou aqui há pelo menos duas horas esperando você voltar e nada!
Mais uma vez você me deixou aqui sozinha.
O rádio, que eu liguei para me distrair, anuncia: " 5 horas da manhã.  Sexta-feira. Bom dia! "
Bom dia? ??
Bom dia pra quem? Eu já sei que o meu não vai render nada.  Provavelmente não será bom e eu ficarei pensando em você o dia inteiro.  Desejando que você suma!
Ficarei pensando que eu deveria deixar de ser trouxa e nem deveria ter ligado. Ter achado até bom você ter ido embora. Assim tenho mais tempo pra mim!
Mas não!
Não sou dessas!
Fico arrasada quando você me trai assim, tão descaradamente e, de verdade não consigo entender a complacência com que eu te trato.
Posso apostar que se você aparecer aqui no meio do dia,  eu vou ceder.
Quase sempre cedo e acabo com você na cama ou no sofá.
Sempre fico com você quando me procura.
Quase sempre eu escolho ficar com você em detrimento de viver o dia lá fora.
Você sabe como me ganhar e se aproveita da minha fraqueza e do fato de eu não ter um trabalho rotineiro.
Sabe que pode aparecer no meio de uma tarde chuvosa, e que eu irei até sorrir satisfeita antes de me entregar completamente a você.
Você sabe que eu acabo ficando com você em qualquer lugar -em casa ou em algum hotel.  Eu estou quase sempre disponível, quando não te esperando,  ansiosamente.
Agora me diga, se eu sou tão legal contigo,  porque você insiste em me abandonar assim, no meio da noite,  sem motivo aparente?
E como se não bastasse, ainda tem a outra! Ela sabe quando você vai e fica me perturbando.
Fica gritando, fazendo escândalo,  tripudiando.  Me dizendo e repetindo que você não vai voltar! Não tão cedo. .. e que eu ficarei sem forças, acabada, com olheiras profundas.
E ela tem razão!  na maioria das vezes você não volta mesmo.
Estou cansada! Sério!
Você sabe bem que eu podia acabar com ela em pouco tempo,  não sabe?
E que não me custaria quase nada...
basta um telefonema, uma visita e um comprimido dissolvido na água ou num inocente chá...pronto! Ela iria embora e, de quebra eu te obrigaria a ficar aqui comigo - a noite toda,  todos as noites ( e os dias também, se eu assim desejar!)
Não me provoque!
Não quero tomar uma atitude drástica assim, mas estou avisando : Não me provoque!
Eu não quero que seja assim!
Quero que você venha espontâneamente, tranquilo e  eu juro que nem vou reclamar se você quiser,  eventualmente,  ficar até um pouco mais tarde, atrapalhando meus planos diurnos.
Ficarei com o maior prazer debaixo do edredon contigo!
Eu gosto de você e, por isso,  por enquanto, prefiro te dar mais uma chance.
Por favor, não me obrigue a tomar uma atitude radical que possa abalar a nossa relação!

Eu te darei mais uma chance!
Venha sereno, calmo e fique a noite toda. Eu não gosto de você agitado e indeciso assim.

Por favor, não faça mais isso!
Não deixe que essa (in) Sônia venha zombar de mim .

Querido Sono, por favor,  volte  e me faça feliz!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Acorda menina!

O post de hoje é de indignação!
Estou há semanas sem inspiração para escrever e ontem, diante de uma postagem num grupo do facebook ela veio, rasgando, me socando o estômago, me fazendo querer ligar para uma desconhecida e dar-lhe conselhos "amorosos".
Me limitei a postar um comentário e lembrei que se conselho fosse bom a gente vendia, não dava, e que provavelmente a opinião de uma desconhecida não vai mudar em nada o pensamento desta pobre alma que aceita desmandos de um namorado.
A postagem em questão está ai na foto. Uma menina, que não deve ter mais de 30 anos, coloca um vestido que ela comprou, esperou quase um mês para chegar, adorou e colocou à venda porque o seu namorado (na-mo-ra-do!) não DEIXOU, repito, NÃO DEIXOU ela ficar com o tal vestido por achar ele decotado.
Agora vejam vocês, caro leitores, como é que pode isso?
O cidadão acha que pode mandar e desmandar na roupa que a guria quer usar e ela aceita! Ela aceiiitaaaaaaa!!!!!!!
Quando coloquei a foto no meu mural da mesma rede social uma amiga comentou : " É o fim da picada, né?"
Parece óbvio!
Mas o pior é que não é o fim. É só o início da picada, o início de (mais) um relacionamento machista que julga a mulher pela roupa que ela veste.
E os comentários que seguem no post da moça me deram ainda mais asco - várias outras mulheres se solidarizando, entendendo e tentando justificar a atitude do ditadorzinho.
Em um deles, a moça que está vendendo o vestido diz  que "negocia" o uso das roupas com o tempo que ele (o namorado) fica no videogame (?!) - Ela não usa e em troca ele não fica tanto (TANTO) diante da tv enquanto ela passa o fim de semana na casa dele.
Lamentável...
Fica aqui a minha indignação e o meu sincero desejo de que esta menina acorde e resolva rifar o namorado e continuar com o vestidos.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Meias Verdades - o país do 1° de abril

Eu passei a semana inteira esperando que o IPEA ou alguém divulgasse que era mentira. Que eles tinham errado ou que era pegadinha do Malandro, só para ver a reação da sociedade.
Ao invés disso vi divulgado que  66% dos entrevistados eram mulheres e aí me encuquei ainda mais...
Como pode isso ?
As mulheres que são as maioires vítimas estão defendendo que quem não se comporta merece ser estuprada?
A gente que vive reclamando de sofrer violência sexual verbal todo dia, achando que  a culpa é nossa mesmo, que nao devia nada ter passado de shortinho em frente a obra?
É claro que tem gente que pensa assim!
Quantas vezes você já não ouviu um " também, né? Com essa roupa, estava esperando o que?"
É inegável que vivemos numa sociedade machista, mas quando se trata de estupro o caso é, ou pelo menos , me parecia diferente. Pois se até os bandidos mais perversos não toleram isso...
Todo mundo sabe que na cadeia estuprador vira "mulherzinha".
Como pode uma pesquisa apontar uma coisa dessas?
Eu sempre desconfio de tudo o que órgãos do governo divulgam, principalmente deste , que acha que se o mensalão for caixa 2 de campanha tá tudo certo, e aí, lendo daqui, pesquisando dali encontrei um texto do Felipe Moura que achei coerente.
Saiu na veja  (sim! na veja eu acredito muiiiitooo mais do que no PT). É grande mas acho que vale a pena a leitura, nem que seja para exercer o direito de discordar , já que esta semana estamos lembrando que há 50 anos tínhamos perdido este direito.
aqui está o link
No texto ele revela como foi feita a pesquisa e dá dados que não foram divulgados , como o da grande maioria dos entrevistados não terem sequer o ensino fundamental, e portanto, podem não ter interpretado bem as questões e que os resultados para a parcela que vive na região sul e sudeste e que tem ensino superior é completamente diferente. Vide pag do iPEA  - que também distorceu a histórinha de " menor taxa de desemprego de todos os tempos" e que afirma que a classe média cresceu , mas que omite que a classificação para "Classe média" mudou.
Quanto à campanha #eunaomerecoserestuprada acho que continua valendo. Sempre valerá!  Não custa lembrar e afirmar que respeito  é bom e a gente gosta e que ninguém tem nada com a roupa que eu visto ou com o sutiã que eu não quero usar.
Ninguém merece ser estuprada - Fato!
E ninguém merece ser enganados por pesquisas mal feitas também.
O #acordaBrasil também continua valendo!
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Sobre as comemorações da resistência ao golpe, só uma coisinha ( já que o pensamento é livre, graças a Democracia!) : Ouvi muita coisa nesses debates e acho mesmo que muitos militares erraram tentando acertar. Tinha muita gente que acreditava mesmo que se não fizessem uma intervenção o Brasil viraria Cuba ( meu avô era um deles) .
Erraram (feio!)  a mão.
Mas nunca saberemos se isso aqui  ia ou não virar Venezuela .
Não virou,  que bom ( pior é que acho que ainda há chance, basta a gente piscar!) !
O que passou deve ser lembrado e aprendido - Ditadura é ruim, seja militar ou civil , tortura é intolerável e a verdade deve ser aberta sim, para que nunca mais se repita e para que quem teve os seus desaparecidos ou mortos tenham uma resposta , mas que isso não seja usado para tirar uma gorda pensão vitalícia.
Indenização e raparação sim, jeitinho brasileiro NÃO, por favor!

terça-feira, 25 de março de 2014

Omelete

Ontem o dia estava nublado, friozinho e eu de folga!
O dia perfeito para não fazer nada, ficar vendo televisão o dia inteiro e foi exatamente o que eu fiz.
Vi no gnt que beber 2 litros de água por dia ou só a água contida nos alimentos, a curto prazo não faz a mínima diferença, que a tal dieta detox também não ( e era pra ser um programa sobre saúde e bem-estar!)
E aí a Marília Gabriela começou a entrevistar o Mateus ( que agora é Solano, mas que pra mim é o Mateus do tablado) e me fez pensar " e se...?"
Eu acho que escrevi sobre o "e se...?" aqui.
Pra mim o "e se...?" é a pior pergunta que existe. É um quase se arrepender do que (talvez, quem sabe) poderia ter sido.
Pois bem, fui vendo a entrevista, feliz com o sucesso do meu amigo e pensando : Será que eu teria sido uma boa atriz? E se eu tivesse escolhido um outro caminho?
Ao mesmo tempo eu comecei a pensar no caminho que eu escolhi e lembrar de todas as coisas maravilhosas que aconteceram - das crianças sem professora que correram pra me abraçar quando eu cheguei naquela escola em Santa Cruz , das farras do intercâmbio, das aulas cabuladas no queijo da Facha, dos pernoites da "vida de aeromoça", dos lugares incríveis que eu conheci, dos amigos que eu fiz- e o fantasma  do " e se...?" se foi.
O caso é que, como dizia meu ex marido, não se faz omelete sem quebrar os ovos, mas quem sempre quer viver tudo (como eu), quer fazer a omelete e guardar os ovos (inteiros) , para fazê-los cozidos mais tarde!
Não dá! Eu sei!
Tenho aprendido a simplesmente apreciar o sabor da omelete e entender que, quando ela é bem feita, quando os ingredientes são frescos, bem escolhidos, mesmo que ela não fique tão fofinha, moreninha , os ovos quebrados não incomodam.
Boa semana pra vocês!

terça-feira, 11 de março de 2014

Caí no mundo e não sei como voltar

O Texto de hoje não é meu. É do Eduardo Galeano, escritor uruguaio que gosto muito.
Recebi de um amigo querido que sempre manda coisas muito interessantes, e quando li, lembrei logo da minha mãe, das minhas tias que sempre guardam tudo achando que um dia pode servir pra alguma coisa...e não é que serve? Difícil é lembrar que se guardou! e ter espaço para tudo o que se quer guardar!
Boa leitura!

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O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas. 
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta. 

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes. 

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir. 

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa. 

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour. 

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue... 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Haiti não é aqui

O post de hoje vai parecer preconceituoso e talvez seja mesmo.
Acabei de assistir ao programa "Adeus Haiti" na globo news e juro que não sei que sentimento é este que está aqui latente.
Estou assustada por me sentir xenófoba.
Um misto de pena e raiva. .. sei lá.
O programa mostra, entre outras coisas, a quantidade estarrecedora de imigrantes haitianos no Brasil.  Fenômeno que eu já tinha percebido andando por este país- e não é de hoje!
No Rio mesmo há um montão deles (fui abordada por um numa farmácia com um bilhete pedindo emprego de faxineiro) No Acre, acho que eles ja devem ser maioria!
E o governo brasileiro,  que adora ajudar os estrangeiros mas se esquece dos seus,  continua distribuindo vistos a torto e a direita.
Não consigo entender isso.  Já não temos pobres demais?  Por que aceitar mais gente que não fala a nossa língua,  não acrescenta nada e não tem emprego aqui?
A maioria dos haitianos nem sabia que o Brasil existia até desembarcamos por lá com uma força de paz que não fez o que se propôs a fazer -reorganizar o país - em parte porque isso não faz parte do plano do governo de lá e em grande parte porque, apesar da boa vontade, qualquer idiota seria capaz de presumir que soldados que não se comunicam na língua local não conseguiriam grande coisa. E quem está falando isso não sou eu,  tá? É o sociólogo haitiano entrevistado. E eu concordo com ele!
Voltando ao Brasil e à minha recém descoberta xenofobia, o documentário mostra um grupo chegando numa cidade do interior do Rio Grande do Sul que ofereceu emprego para os imigrantes e um deles, zombando dizia "isso é uma cidade? Naooo! Isso é no máximo uma aldeia!"
Ahhh vá! Neste momento me peguei proconceituosamente gritando com a tv
- volte para a porcaria do seu país destruido então,  babaca!

Logo depois o programa mostra a gratidão de outro imigrante dizendo que queria trazer a família toda e passar o resto da vida aqui. 

Fiquei feliz mas ainda com medo de uma "invasão".

Será que isso é mesmo xenofobia ou  é só um pouco de sensatez? 

Nossa não temos emprego pra gente. 

O índice de analfabetismo ( funcional e real)  é alarmante.  No Nordeste tem gente morando em casa de pau a pique. No Rio, em São Paulo e em todas as grandes cidades, gente morando na rua e em favela. Sem saneamento,  sem escola,  sem saúde,  sem nada! 

Por que aceitar mais gente ? Gente que ainda demanda esforço de professores para ensinar a língua portuguesa p eles.

Por que eles não vão para a Suíça ou para o Canadá? 
" ahhh é difícil conseguir visto" , diz um dos entrevistados.
Será que é porque o Canadá e a Suíça Tem governos sensatos?
Será que é por isso que eles estão há anos-luz de distância de nós em matéria de desenvolvimento e educação?
A gente tem que parar de querer ser bonzinho e encarar a realidade. Este pseudo socialismo me irrita e nos deixa cada vez com.mais contas  e impostos pra pagar.
Sou solidária com a dor dos haitianos.  Sinto muito pelas perdas causadas pelo terremoto  - só pelo terremoto, porque Papa Doc  é culpa deles assim  como o PT é culpa nossa! - mas não os quero ao pedindo esmola ou  tirando oportunidades de brasileiros que poderiam trabalhar e deixar de ganhar o bolsa família.
Pardon, mas para mim, não são bem-vindos.

RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR!

RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR! : Hoje é dia de São Valentim, santo que celebrava casamentos numa época em que el...