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quarta-feira, 10 de junho de 2015

PORTUGUES(e)

Today is Portuguese language's day however I will post in English, so my "non-portuguese speaker" friends can understand how my language is beautiful and much more important than they think.
Portuguese is the fifth language in the world and the third in the occident. Almost 235 million people speak Portuguese as a first language and they are spread for 8 countries. More than 80% are Brazilians, like me. But these are just data, and what I care about Portuguese are not the facts but the poetry.
Everybody knows that I love learn languages. So far I learned (almost) five! And everyone has their particular beauty.
English is the most practical one! The simplicity of verb TO BE and the versatility of verb TO GET make the life easier. Italian is the romantic one and, besides this, you have to agree that every food tend to taste better when named it in Italian! Spanish is necessary  - Mostly if you were born on a continent that just you are not spanish speaker...or even if you live in United States, believe me, if you are capable of speak a little spanish, you gonna live better! French (I'm still working on that!) is all about charm and glamour!  But Portuguese...ahh Portuguese has the power of turning feelings in words.
The word SAUDADE for example, SAUDADE means much more than "miss" , much more than "extraño" or than "mancare" or "nostalgie"..."NOSTALGIA" in Portuguese means other thing.
SAUDADE is something that you feel deep, deep, deeepppp in your heart when you think about somebody or something that you miss a lot, but, someway, it goes beyond this.
SAUDADE really hurts and also can bring "nostalgia", that in Portuguese means the sadness that came with "SAUDADE".
It's complicated but SAUDADE does not means just sadness to us. You can be feeling SAUDADE and be happy! You can feel childhood's SAUDADE for e.g. and this doesn't make you sad. You can be feeling SAUDADE from your mom's food, cook her recipe and "kill the SAUDADE" - and this will make you happy, not nostalgic!
Moreover, the best thing about SAUDADE is when you can KILL it! I believe that there is no better feeling in the world than when you hug somebody that you were "with SAUDADE".
Right now, writing this post I'm full of SAUDADE! SAUDADE "from" my friends, my family, SAUDADE from the beach, the smell of the sea...
I look forward to killing this SAUDADE! Can't wait!


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Hoje é o dia da língua Portuguesa, no entanto vou postar em Inglês, para que meus amigos que não falam portugues possam entender como a minha língua é linda e muito mais importante do que eles pensam.
O Português é a quinta língua do mundo e a terceira no ocidente. Quase 235 milhões de pessoas falam Português como primeira língua e eles estão espalhados por 8 países. Mais de 80% são brasileiros, como eu. Mas isso são apenas dados, e que me importa do  Português não são os fatos, mas a poesia.
Todo mundo sabe que eu adoro aprender línguas. Até agora eu aprendi (quase) cinco! E cada uma delas tem sua beleza particular.
Inglês é o mais prático! A simplicidade do verbo "TO BE" e a versatilidade do verbo "TO GET" tornam a vida mais fácil. Italiano é a romântica e, além disso, você há de concordar que todos os pratos tendem a ser mais gostosos quando você coloca nele um nome italiano! O espanhol é  necessário - Principalmente se você nasceu em um continente que apenas você não fala espanhol ... ou mesmo se você mora nos Estados Unidos, acredite, se você é capaz de falar um pouco de espanhol, você vai viver melhor! Francês (eu ainda estou trabalhando nesta!) remete ao charme e  ao glamour! Mas o Português ... ahh  o Português tem o poder de transformar sentimentos em palavras.
A palavra SAUDADE por exemplo, SAUDADE significa muito mais do que "to miss", muito mais do que "extraño", de "mancare" ou "nostalgie" ... "NOSTALGIA" em Português significa outra coisa.
SAUDADE é uma coisa que você sente láááá no fundo, beeeemmm fundo no seu coração quando você pensa em alguém ou em alguma coisa que você realmente sente falta, mas, de alguma forma, vai além disso.
SAUDADE realmente dói e também pode trazer a tal nostalgia - que em Português significa a tristeza que veio com saudade.
É complicado, mas SAUDADE não significa tristeza para nós. Você pode sentir SAUDADE e ser feliz! Você pode sentir SAUDADE da infância por exemplo, e isso não faz você triste! Você pode sentir SAUDADE de comida da sua mãe, cozinhar receita dela e "matar a saudade" - e isso vai fazer você feliz, não nostálgica.
Além disso, a melhor coisa sobre SAUDADE é quando você pode matá-la! Eu acho que não há  no mundo sentimento melhor do que quando você abraça alguém que você estava com saudade.
Agora, escrevendo este post eu estou morrendo de SAUDADE! SAUDADE dos meus amigos, da minha família, SAUDADE da praia, da maresia ...
Estou louca para matar essa SAUDADE! Mal posso esperar!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Facebook, seu fofoqueiro!


Ando de saco cheio deste tal de Facebook!
Que sujeito mais fofoqueiro! Daquele tipo pior de todos, que te conta a fofoca que não te interessa, mas que uma vez sabida, te irrita, te machuca.
Agora ele deu para me contar o que amigos meus comentam na página de gente que não está no meu círculo de amizades. E não estão por bons motivos (ou maus, se você levar em consideração que o motivo é o caráter delas!).
Em primeiro lugar, fico chateada de lembrar que estes que ainda frequentam a minha timeline continuam participando da vida, comentando e curtindo atitudes, vídeos e "pensamentos" de tais indivíduos e em segundo lugar porque SE EU EXCLUÍ O PERFIL DE DETERMINADA PESSOA, QUE K-RA-LEO A PORRA DO FACEBOOK TEM QUE ME ANUNCIAR QUE O FULANINHO COMENTOU NÃO SEI O QUE NA FOTO, NO VÍDEO OU NA PUTAQUEOPARIU DELE/DELA???
Para começar eu já acho chato isso de timeline. É fofoca mas vá lá, vamos encarar como "notícia de gente que eu sigo ou que está classificado como amigo" , agora isso de me contar o que o meu amigo comentou ou curtiu na página de gente que eu não conheço ou que eu fiz questão de excluir é demais!
E sabem do pior? Não tem como filtrar isso! Já fucei tudinho e não encontrei um jeito de fazer isso sem ser excluir o amigo original, aquele que apesar de andar em más companhias ainda merece o seu carinho e atenção.
Sinto muito, caro amigo, infelizmente, com diz a minha mãe "que anda com porcos, farelo come" - excluído também serás!
Antes desta coisa de rede social, este problema já existia. No trabalho, na escola, sempre tinha um filho duma égua, um cavaleiro do apocalipse que espalhava as notícias que você não queria ouvir "fulana está namorando", "o ex da fulaninha está saindo com aquela ex amiga dela", "ihhh olha aqui esta foto...não é a sua ex-mulher com o patrão dela?"
Quem não conhece alguém assim? Que adora colocar uma lenha na fogueira, fazer um comentário "inocente"?
O lado bom é que nas redes sociais você exclui essa pessoa e ela nem sabe que não está mais te atingindo. Na vida real isso é um pouco mais difícil. O problema agora é que a própria rede social faz este papel sujo do leva-e-traz.
Vocês devem estar se perguntando porque EU ainda continuo mantendo então o meu perfil no Facebook.
É  uma boa pergunta! Também tenho me perguntado isso e ensaiado apertar o botãozinho de excluir.
Ganharia bons minutos ou quem sabe até horas do meu dia. Ficaria menos irritada com a falta de respeito que se generalizou nos comentários de alguns grupos e até ficaria feliz em continuar respeitando muita gente que antes eu admirava e agora vejo postando tanta besteira que até dói, mas perderia o contato com muita gente boa, gente de quem vale a pena ver um sorriso mesmo que só pela foto postada, gente de quem quero saber notícias e matar a saudade e que não é tão próximo que esteja num grupo do whatsapp.
Tenho bons amigos saíram do facebook e sem querer acabam sendo um pouco excluídos.
Acho que ele ainda é um mal necessário. Uma ferramenta maravilhosa que me fez reencontrar tanta gente querida, mas que está se tornando aquele serzinho insuportável que fica espiando tudo e procurando uma oportunidade para destilar o veneninho.
É Facebook, vou torcer para achar um meio de fechar meus olhos e meus ouvidos para toda essa fofocaiada e aproveitar só o que você tem de bom.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

A Saga do Konjac

Há algumas semanas voltei a fazer a dieta Dukan. Desta vez optei pela tal escada nutricional, a nova modalidade.
Já tinha tentado a tradicional ano passado e apesar do resultado maravilhoso, não segui todas as fases e acabei não mantendo o peso que queria. Enfim...comecei de novo.
Comprei o livro novo na amazon em inglês, porque não queria ter que ficar adivinhando os similares das comidas aqui e logo no início o dr, Dukan veio com o tal do Konjac como novidade.
" Aiii Deus...mais uma coisa além do farelo" , pensei.
Ele não dizia que era mandatório mas recomendava insistentemente o tal konjac ao longo do livro.
Procurei na internet para saber o que era porque eu nunca tinha ouvido falar nisso. Coloquei no google tradutor e também não achei equivalente em português.
No mundo maravilhoso do google encontrei imagens de um troço completamente desconhecido e algumas receitas do que parecia um miojo branco, mas nada de achar o raio do konjac nos supermercados.
Pois bem, ontem, indo fazer compras em um supermercado tradicional passei por um lugar escrito "ASIAN MARKET", "É aqui!" pensei e imediatamente dei seta e entrei. Lá dentro me senti na China.
Corredores e mais corredores de comidas nunca vistas, um corredor inteiro de temperos coloridos e diferentes. Peixes, frutos do mar, uma infinidade de tofus (pra mim só existia um tipo até ontem!) e finalmente, no corredor 16, o KONJAC!
Bom, não pensem que o achei o dito cujo fácil assim.
Primeiro circulei pelo corredor de "massa" sem sucesso. Abordei uma moça para ver se ela conseguia me ajudar a saber onde estava o tal konjac e ouvi um "sorry! no English", depois um funcionário que disse não saber do que se tratava ( mas acho mesmo que nosso inglês não se deu muito bem) e finalmente uma mocinha que arrumava uma das gôndolas me disse quando eu mostrei a ela a imagem e a explicação do wikipedia  - "ahhh! Yam Cake! você quer Yam Cake! estão na fileira 16".
"Yam cake? Yam Cake??? Mas não era Konjac o nome do negócio? Ela deve estar errada" - foi meu pensamento imediato, mas mesmo assim fui até a fileira 16 e comecei a procurar.
Achei! Várias marcas! Vários nomes diferentes! Entre eles Konjac e Yam Cake.
Um potinho nojento, com uns trocinhos parecendo sushi boiando numa aguinha. Refrigerado.
"Mas não é macarrão gente!? Já tá cozido então?" pensou a ignorante em cozinha oriental.
Escolhi uma marca que viesse escrito também KONJAC, só para não correr o risco de estar levando o produto errado, passei de novo pelo corredor dos temperos, enchi o carrinho e fui pra fila.
A fila estava grandinha e eu puxei papo com o casal que estava na frente : " Oi! será que vocês podiam me ajudar? Queria saber se vcs conhecem este konjac...estou fazendo dieta e o médico disse que este alimento é bom..."
Ao ouvir a palavra DIETA a mulher começou a me dar atenção e explicar como se fazia o tal Konjac. Me disse que não tinha gosto de nada, que era como uma gelatina mas que dava para temperar e que os 2 caracteres chineses na embalagem significavam "health".
"Ótimo! Mais um alimento zero carboidrato, zero açúcar e zero sabor para a minha geladeira"
Dei o nome do livro à  moça que e ajudou na fila e vim pra casa achando que o tal noodle não ia sair da geladeira para outro lugar que não fosse o lixo.
Hoje, diante da variedade de opções de coisas que eu poderia almoçar com o que eu tinha em casa (acabei não indo ao supermercado "de verdade" ontem), o Konjac saiu da geladeira e qual não foi a minha surpresa em ficar feliz em dar outro destino a ele ao invés do lixo!
Tudo bem, devo confessar que o potinho é mesmo nojento e que a água fede a peixe, mas depois de enxaguar várias vezes e cozinhar as trouxinhas que nem miojo, o negócio fica até gostosinho!
Parece um miojo de gelatina. A textura é de gelatina. Mas por não ter sabor é uma comida versátil que pega o sabor que você quiser.
Acho que errei em querer fazer como macarrão. Definitivamente, noodle não é macarrão!
Noodle serve para fazer yaksoba e só combina mesmo com shoyo.
 Nada de alho, molho vermelho e almondegas da próxima vez!
SIMMMM! Terá uma próxima vez! Eu gostei de me aventurar na Chinatown indoor e vou voltar lá para comprar mais konjac! Inclusive o outro tipo, que parecia uma geleca.
Depois eu conto como foi!


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Infinito Particular

Hoje é o dia mundial de conscientização do autismo.
A grande maioria das pessoas já ouviu falar disso, já viu na novela, mas muito poucas sabem bem o que é ou como lidar com ele.
É difícil! Bem difícil, posso afirmar.
Há 7 anos, quando o Gabriel nasceu, tínamos todas as expectativas que uma família deposita em seu novo bebe, ele era pré-maturo (muito) e, naquela época nosso maior desejo era que ele sobrevivesse.
Vencido este desafio demoramos para perceber que o próximo seria tão importante e difícil de ser vencido quanto o primeiro e tão bom quanto!
Ainda bem novinho percebemos que ele não interagia com a gente como esperávamos, quase nunca respondia as brincadeiras e desviava o olhar e até fechava os olhos quando o obrigavámos a nos encarar para levar uma bronca, por exemplo.
"Olha como este menino é genioso! Fecha os olhos para evitar a bronca", dizíamos.
Eu, que sempre fui muito adepta ao "olhe pra mim quando eu estiver falando com você!"ficava muito irritada com esta atitude.
Depois achávamos engraçadinho ele repetir frases dos desenhos ou de programas de TV.
Quando a fala começou a demorar achamos que era porque "menino demora mais pra falar mesmo", mas ele era bem esperto p idade dele, com menos de 2 anos sabia apontar qualquer número ou letra que a gente pedisse. Ainda não estávamos tão preocupados e achávamos que ele era um garoto tímido e por isso parecia não se entusiasmar com a cia de outras crianças.
Demoramos uns bons 4 anos para perceber que ele era autista. A mãe levou mais tempo. Me lembro de uma briga que tive com ela onde ela entrava nos cômodos e se trancava para não escutar o que eu queria falar "seu filho tem um problema e vc não está ajudando ele assim!"
Ela precisava ouvir! Eu precisava dizer isso assim, aos berros, para que ela escutasse já que as conversas não surtiam efeito e no fundo eram meio veladas, porque todos nós tínhamos medo de dizer isso em voz alta.
Ainda não pedi perdão a ela como deveria, por ter sido tão rude no meu desespero em ajudar o meu pequeno príncipe e a ela também, mas eu tenho absoluta certeza que ela sabe que era meu coração que gritava do outro lado da porta fechada "você vai me ouvir".
No seu mundo Gabriel sempre foi feliz. Nunca deixou de rir e brincar, mas hoje, sendo tratado como deve ( ou como a gente pode, com os recursos que temos disponíveis) tenho certeza que ele é ainda mais.
Com ele aprendemos todos os dias!
Aprendi que ele não vai gritar meu nome e correr p me abraçar quando eu chego mas que sabe quem sou eu e me ama a maneira dele.
Com ele estamos aprendendo que nem nós temos que nos adequar ao mundo dele e nem ele tem que se moldar ao nosso. Hoje sabemos respeitá-lo como indivíduo e vibramos com cada conquista dele.
Vibramos ao vê-lo menos ansioso, ao ouvi-lo cantar e conseguir ficar na sala de aula.
Aos poucos vamos descobrir as formas de interagir com ele e do que gosta mais ou menos de fazer.
É um desafio diário e não é fácil.
Por isso o dia de hoje  é tão importante! Saber mais sobre este transtorno significa poder ajudar mais e ajuda a extirpar preconceitos.
Esta é uma cartilha que pode ajudar .
Divulguem e, se puderem, só por hoje, vistam alguma  coisa azul!


domingo, 1 de março de 2015

Parabéns pra Quem?

Hoje é o aniversário da minha maravilhosa cidade. A cidade maravilhosa tão cantada, aclamada e aplaudida a cada pôr-do-sol. Várias comemorações programadas, mas para se comemorar o quê?
Os cariocas tem mesmo o que comemorar? A cidade nem nos pertence mais!
É claro que sempre vamos (eu pelo menos) amar a quietude do Jardim Botânico, o burburinho de Copacabana, o glamour do Leblon, a boemia de Vila Isabel, o samba de Oswaldo Cruz, a roda de choro de Laranjeiras, o chopp na mureta da Urca, o arrombamento da retina quando subimos no Cristo e até os shoppings da Barra, mas e aí? Cadê a gente nisso tudo?
A maioria de nós agora tem que se deslocar num transito terrível para aproveitar isso tudo que é nosso. Com os preços do Rio $urreal, a cidade não nos pertence mais. Quem morava na zona sul teve que ir p Tijuca, quem morava na Tijuca foi pro Méier, quem morava na Barra, agora tem endereço em Jacarepaguá - que continua sendo longe pra caramba e só se for de carro! - ou para Vargem Grande...o Rio está nos escapando das mãos, pouco a pouco e já faz tempo!
Outro dia li no facebook, a nossa sala de fofoca diária, um post da amiga de um amigo pedindo ajuda para encontrar um apezinho de 2 quartos ali pelo Horto por menos de R$2500,00. Um dos comentários dizia "hahah Sonho!" Sonho? como assim sonho? Considerando que se deva gastar so 30% da sua renda com moradia, isso não condiz com a realidade da atual economia carioca. E está todo mundo achando normal! E' isso que me assunta
Eu sempre odiei quando os pilotos dos outros estados me chamavam na cabine para apreciar a vista e soltavam o comentário " de cima é lindo mesmo!"
Eu, carioca orgulhosa que tem a paisagem do Rio tatuada na pele, sempre retrucava. Não faço mais! Infelizmente há algum tempo a "Maravilhosidade" da cidade só é vista de cima mesmo. Felizes daqueles que tem este privilégio.
Felizes pilotos da ponte aérea!
Como eu acho que aniversário é o ano novo particular e por isso, tempo de se rever, de fazer planos e recomeçar com energias renovadas, é exatamente isso que eu desejo à minha cidade: Reinvente-se! E volte a pertencer a quem mais te ama, nós!

sábado, 20 de setembro de 2014

Saúde e sorte

Viver e não ter a vergonha de ser feliz!
Esta semana fez  um ano que me mudei e ontem lembrei disso.
Parece que foi há muito tempo e ao mesmo parece que foi ontem.
Ainda tenho prateleira e moldura pra pendurar, ainda não tenho meu cactus no canto da sala.
Já não tenho mais tanto medo de dormir sozinha, ainda me incomodo muito com o barulho da rua.
Sinto falta do "Deus te abençoe" de todas as noites e toda noite agradeço a Ele por ainda ter a oportunidade ter esta benção a um telefonema de distância.
Um ano do fim de um processo doloroso e necessário de separação, de corte do cordão umbilical.
Como eu previa, tudo está em seu lugar. Tudo está bem.
Não perfeito, mas bem.
Ainda não recebi nem metade dos amigos que eu gostaria, não fiz um openhouse oficial, mas todos os que eu recebi foi do jeitinho que eu imaginava - sem a procupação de incomodar, sem a sensação de invasão .
Ao longo deste ano me dei conta de que morar sozinha não é tão simples.
A louça não é auto-limpante, as roupas não vão sozinhas para a máquina de lavar e quando o condomínio resolve fazer uma obra, é você quem tem que se virar para estar em casa ou pedir para que alguém esteja.
Tudo isso me fez crescer, amadurecer e agradecer por estar passando por toda esta mudança por escolha e não por necessidade.

Seria terrível toda essa mudança sem a minha mãe por perto, mesmo que fosse só pra dizer : "quem mandou querer morar sozinha?"

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Simplifique

Tenho uma conhecida que está sempre brigando com o marido.
Toda vez que os encontro eles estão emburrados, discutindo ao vivo ou ao telefone.
Eles formam um casal bem bonito apesar dela ser quase tanta areia quanto  caminhãozinho dele pode carregar. São jovens e não devem ter mais do 4 ou 5 anos de relacionamento e mesmo assim parecem não aproveitar o amor.
A impressão que eu tenho é que eles ficam tão preocupados prestando atenção se um está desviando o olhar em direção a outra pessoa que esquecem de prestar atenção de verdade um ao outro.
Ontem, ao presenciar mais uma troca de "gentilezas" entre os dois, não me contive e disse : "não brigue! Você está longe...releve"
A resposta foi imediata:
" Aiii é sempre a mesma coisa! Ele não aprende!"
Me despedi e fui embora pensando...quem não aprende?
Se é sempre a mesma coisa, se ele sempre a deixa infeliz com as mesmas atitudes quem não aprendeu ainda é ela!
Não aprendeu que a gente não muda ninguém, não aprendeu que se ela não gosta do jeito dele ser e agir tem que reagir!
É não é gritando!
É, provavelmente se separando!
Caramba! Juro que não consigo entender porque as pessoas insistem em ficar numa relação falida, em que não se tem nada além de ciúme e brigas.
Será que é por medo de ficar sozinho?
Será que é por preguiça de começar de novo?
Eu até acredito que não temos uma vida só, mas poxa, é só desta que a gente se lembrará quando estiver velhinho, é esta que estamos vivendo agora e ela é frágil!
Por que não aproveitá-la da melhor maneira possível tentado ser feliz todos os dias?
Por que disperdiçar seu tempo tentando mudar um comportamento do outro que te incomoda mas que ele não acha errado ( e neste caso específico eu também não acho!  - o que há de errado em sair com um amigo ?)
Por que não confiar em quem está com você. E se não confiar por que continuar com esta pessoa?
A vida é simples!
Relacionamento não é tão complicado assim! É só colocar um pouquinho mais de amor e tirar um pouco do egoísmo que a cousa fica simples e muito mais gostosa!
Vai por mim! ;-)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Vida REAL

E lá se vão 20 anos!
Eu me lembro como se fosse ontem.  O banco abriu só para trocar as notas antigas e o que eu tinha em casa, restinho de mesada não deu mais que 2 notas e umas moedas.
Eu era adolescente mas já tinha visto vários zeros serem cortados do dinheiro e ele mudar de nome um par de vezes.
Acho que a maioria das pessoas comuns, leigas em economia, não acreditava. Achava que era só mais um plano.
Não foi!
Excelente!
Há 20 anos não temos mais que "investir" em sabão em pó ou estocar milhões de coisas.
Há 20 anos não precisamos mais fazer "compras do mês". Podemos comprar só o necessário porque na semana que vem não vai estar tudo o dobro do preço.
Quem tem menos de 25 anos não deve lembrar do barulhinho clec clec da maquininha aí da foto nem da mãe indo em supermercado com a tabela da SUNAB.
Eu lembro!
Lembro do meu tio prestar atenção quando o jornal nacional anunciava o "over night" e o quanto a poupança tinha rendido.
Lembro e tenho medo.
Tenho medo de toda essa maquiagem.
Medo de ver os preços surreais e subindo!
Há 20 anos a inflação passava dos 2MIL (DOIS MIL - M-I-L ) por cento ao ano.
Hoje ela não está nem perto disso, mas parece estar gostando do jogo e crescendo.
Que a copa não nos faça esquecer disso.
Outubro é amanhã!  

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Marina você já é bonita com o que Deus lhe deu

Hoje de manhã presenciei uma cena que me fez pensar. ..
Excesso de maquiagem deve ter a ver com baixa auto-estima.
Como pode alguém acordar muito,  mas muiiitooo maquiada?
Pode até te a ver com cultura, mas definitivamente as moças (colombianas acho) que estavam as 8 da manhã no café da manhã do hotel em frente a praia com 3 kilos de base cada uma, nao devem gostar do que vêem no espelho quando levantam da cama.
Tudo bem que nem a Gisele Bündchen deve acordar divina, mas perder preciosas horas de sono e de férias na frente do espelho com uma maleta com 300 tons de sombra na sua frente quando a praia também te espera do outro lado da rua, merece uma ida ao psicanalista!  Não pode ser normal!
Eu já escrevi aqui que não gosto de muita maquiagem. Que gosto da cara limpa em todos os sentidos.
Me acho (mesmo!) mais bonita saindo do mar de cabelo molhado e salgado do que toda enbonecada dentro do uniforme.
Deve ser porque de cara limpa sou mais feliz e isso provavelmente transparece.
É claro que reconheço o efeito de um bom corretivo mas ainda acho q sofre de algum distúrbio a pessoa que espalha aos quatro ventos que "meu marido nunca me viu sem maquiagem!"
Neste caso devem sofrer os dois! 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A Arte de se Controlar

O meu pavio nunca foi muito longo.  Com o passar dos anos fui ficando (muito) mais tolerante com algumas coisas,  mas falta de educação não é uma delas!
E uma das atitudes que mais me incodam é ver alguém jogar papel ou qualquer outra coisa no chão ( sim, porque as pessoas jogam de tudo no chão!  de guimba de cigarro a fralda suja! - vide fim de praia num domingo!)
Pois bem, estava eu feliz, contente e cansada do voo assistindo o segundo tempo do jogo do Brasil num bar lindo, em frente ao mar de Natal, quando o garçom que veio nos atenteder, com toda aquela simpatia de quem está trabalhando quando todos estão e divertindo, informou que a cozinha fecharia e se quisessemos pedir alguma coisa para comer que fosse já ou nos calássemos para sempre. 
-Mas são 18:40...o bar vai mesmo fechar? - questionamos já que o lugar estava repleto de potenciais gorjetas em dólares e euros.
-Graças a Deus! - foi a resposta 
 A tripulação faminta trocou olhares e decidimos continuar (ou começar, já que tínhamos chegado há menos de 40 minutos) em outro lugar.
Dito isso, o garçom arrancou a folha da comanda e ... JOGOU NO CHÃO!
JOGOU NO CHÃO!
NO CHÃO!
Vi aquela cena em câmera lenta  e sem acreditar, perguntei :
- Você jogou o papel no chão?
Eu queria gritar com ele, mas me controlei.
- Sou eu mesmo que (sic) limpo, moça! 
Agora eu queria gritar muito mais alto com ele!
Não gritei!
Peguei o papel do chão, devolvi a ele, pedi que o jogasse no lixo e ele repetiu que era ele quem limpava, que não fazia diferença, e ainda me deu uma sacaneada dizendo "AIMI SORI".
Repeti, de novo me controlando para não gritar, que fazia diferença pra mim e pedimos a conta.
Fomos embora indignados... eu ainda querendo gritar
!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

NÃO ME DEIXE SÓ! EU TENHO MEDO DO ESCURO!

Estou ficando cansada disso!
Está cada vez mais frequente essa sua mania de ir e vir a hora que bem entende.
Estou aqui há pelo menos duas horas esperando você voltar e nada!
Mais uma vez você me deixou aqui sozinha.
O rádio, que eu liguei para me distrair, anuncia: " 5 horas da manhã.  Sexta-feira. Bom dia! "
Bom dia? ??
Bom dia pra quem? Eu já sei que o meu não vai render nada.  Provavelmente não será bom e eu ficarei pensando em você o dia inteiro.  Desejando que você suma!
Ficarei pensando que eu deveria deixar de ser trouxa e nem deveria ter ligado. Ter achado até bom você ter ido embora. Assim tenho mais tempo pra mim!
Mas não!
Não sou dessas!
Fico arrasada quando você me trai assim, tão descaradamente e, de verdade não consigo entender a complacência com que eu te trato.
Posso apostar que se você aparecer aqui no meio do dia,  eu vou ceder.
Quase sempre cedo e acabo com você na cama ou no sofá.
Sempre fico com você quando me procura.
Quase sempre eu escolho ficar com você em detrimento de viver o dia lá fora.
Você sabe como me ganhar e se aproveita da minha fraqueza e do fato de eu não ter um trabalho rotineiro.
Sabe que pode aparecer no meio de uma tarde chuvosa, e que eu irei até sorrir satisfeita antes de me entregar completamente a você.
Você sabe que eu acabo ficando com você em qualquer lugar -em casa ou em algum hotel.  Eu estou quase sempre disponível, quando não te esperando,  ansiosamente.
Agora me diga, se eu sou tão legal contigo,  porque você insiste em me abandonar assim, no meio da noite,  sem motivo aparente?
E como se não bastasse, ainda tem a outra! Ela sabe quando você vai e fica me perturbando.
Fica gritando, fazendo escândalo,  tripudiando.  Me dizendo e repetindo que você não vai voltar! Não tão cedo. .. e que eu ficarei sem forças, acabada, com olheiras profundas.
E ela tem razão!  na maioria das vezes você não volta mesmo.
Estou cansada! Sério!
Você sabe bem que eu podia acabar com ela em pouco tempo,  não sabe?
E que não me custaria quase nada...
basta um telefonema, uma visita e um comprimido dissolvido na água ou num inocente chá...pronto! Ela iria embora e, de quebra eu te obrigaria a ficar aqui comigo - a noite toda,  todos as noites ( e os dias também, se eu assim desejar!)
Não me provoque!
Não quero tomar uma atitude drástica assim, mas estou avisando : Não me provoque!
Eu não quero que seja assim!
Quero que você venha espontâneamente, tranquilo e  eu juro que nem vou reclamar se você quiser,  eventualmente,  ficar até um pouco mais tarde, atrapalhando meus planos diurnos.
Ficarei com o maior prazer debaixo do edredon contigo!
Eu gosto de você e, por isso,  por enquanto, prefiro te dar mais uma chance.
Por favor, não me obrigue a tomar uma atitude radical que possa abalar a nossa relação!

Eu te darei mais uma chance!
Venha sereno, calmo e fique a noite toda. Eu não gosto de você agitado e indeciso assim.

Por favor, não faça mais isso!
Não deixe que essa (in) Sônia venha zombar de mim .

Querido Sono, por favor,  volte  e me faça feliz!

terça-feira, 11 de março de 2014

Caí no mundo e não sei como voltar

O Texto de hoje não é meu. É do Eduardo Galeano, escritor uruguaio que gosto muito.
Recebi de um amigo querido que sempre manda coisas muito interessantes, e quando li, lembrei logo da minha mãe, das minhas tias que sempre guardam tudo achando que um dia pode servir pra alguma coisa...e não é que serve? Difícil é lembrar que se guardou! e ter espaço para tudo o que se quer guardar!
Boa leitura!

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O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas. 
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta. 

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes. 

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir. 

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa. 

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour. 

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue... 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Etiqueta moderna

Há tempos eu venho querendo escrever sobre a etiqueta que rege (ou deveria reger) as redes sociais.
Queria entender se todo mundo perdeu a noção mesmo ou sou eu que estou ficando velha e não me adaptando a certas modernidades.
Não consigo entender, por exemplo,  por que uma pessoa coloca  um recado pessoal no seu mural do facebook ao invés de mandá-lo por inbox e também por que as pessoas fazem em grupos no whatsapp  perguntas que sao especificas para um membro do grupo - nao tem o número do dito cujo lá? Pq raios não manda a mensagem direto pro fulano???
Se não for nada engraçado p grupo inteiro sacanear ou importante para todo mundo,  pra que explanar?
Outra coisa que não tenho entendido bem, e esta foi a gota d'água deflagradora do post,  é a mania das pessoas de pedirem o seu whatsapp como se isso não fosse a mesma coisa que pedir o seu telefone!
Gente, no meu tempo a gente não dava (nem pedia) o telefone de qualquer um não! 
Quando um cara pedia o seu tel era porque ele estava realmente interessado e a gente ficava esperando ansiosa por uma ligação.
Agora todo mundo pede (e dá!) o whatsapp! Até publicam no facebook! E olha só a confusão que isso pode dar:
Ontem eu estava linda e serelepe voltando do trabalho quando o celular apita pipocando uma mensagem
"Oi! Tudo bem?"
Como troquei de aparelho e ainda nao recuperei todos os números (e nao fico espalhando meu whats por aí) , jurei que era alguém conhecido.
"Tudo bem! Mas quem é? Desculpe, não tenho este número gravado"
"Wallace"
?????????????
Revirei as gavetinhas de memória e nada!
"Olha, acho q vc mandou a msg p pessoa errada"
"Seu número está no face. Achei que vc estivesse a procura de novas amizades"

Em fração de segundos quase tive um treco.
Como assim "seu numero esta no face???"

"Oi??? Meu número está no face???" digitei sem nem entender pq ei estava rendendo assunto com um desconhecido.

"Seu nome não é Luana? Seu número está nesta página, olha aí"
E fez a gentileza de me mandar a foto que ilustra post.
Alívio e indignação tomaram conta de mim.
Não era o meu tel mas a tal Luana tinha mesmo colocado o número dela exposto pra qualquer um adicionar!
Ela e mais um montão de gente!
Essas pessoas não tem amigos pra conversar ou estão querendo inventar uma nova modalidade de disk sexo? O textsex seria???
Porque para conhecer a galera da pegação já  existe o tinder, né?
Não entendi!
Acho que estou mesmo velha para essas modernidades mas continuo entendendo um pouquinho de etiqueta e bom senso, então meninos, dica da tia: não façam como o Jhom! Fotos de pinto, só se eles tiverem um tamanho apresentável, ok?! 




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

No more bets

Há alguns anos, quando eu era croupier num cassino nos Estados Unidos, aconteceu uma história inusitada.
Eu "dilava " black jack e naquela noite eu estava especialmente feliz.  

Era um fim de semana de casa cheia e boas gorjetas. 

Eu ocupava a última mesa do "pit", a que ficava bem ao lado da roleta. 
As pessoas também estavam felizes e era uma gritaria só!
Na minha mesa estava um grupo bem animado e entre eles, uma senhorinha que lá pelas  tantas recebeu dois oitos.
" Split " ela pediu.
Split é a jogada na qual a gente separa as cartas,  fazendo com que cada "mão" vire outra aposta separada e aí você  recebe mais uma carta para cada um daqueles oitos.
No black jack sempre se "splitam " os 8!
Virei a outra carta e veio mais um 8.
"Split"
Carta virada,  8!
"Ohhhh! "
"What a chance? ! " ninguem acreditava! "Nao tenho mais dinheiro!" - ela se lamentou. 
"Split" alguém gritou do outro lado da mesa, jogando uma ficha p ela.
A esta altura ninguém mais estava prestando atenção no seu próprio jogo.
Todo mundo estava vidrado naqueles oitos. Todos apertados no último spot.
As cartadas se seguiram, não saíram outros oitos,  a carta amarela que indicava que eu deveria embaralhar todas as cartas na próxima jogada saiu e, inacreditavelmente, para indignação geral, a banca (eu) fez 21 e acabou com a festa de todo mundo.
Estava acabado! Todo mundo perdeu suas apostas!

"I'm so sorry!" - Foi a única coisa que eu consegui dizer.
E  estava sentida mesmo! Desolada.
Enquanto eu embaralhava as cartas de novo, para recomeçar o jogo, o pessoal da roleta estava frenético!
"Place your bets!" gritou o croupier.
" se eu fosse você,  ia lá e apostava o que sobrou no 8!" Eu disse.
"Naaaooo! É só uma ficha de 5 dólares!"- a senhorinha estava inconsolável -"acho que vou pra casa", decretou.
Fiz um muxoxo e insisti: "eu apostaria!"
Ela hesitou, ficou ali olhando até o croupier anunciar "no more bets!"
A bolinha parou de saltitar e foi girando devagar até parar no número... 8.
A senhora nem conseguia respirar.
Meu coração parou por um segundo e graças a Deus o meu substituto bateu no meu ombro me dizendo que era hora do intervalo.
Fui tomar um café em silêncio e nunca mais esqueci daquela senhora e daquele sentimento no ar.

Aquele arrependimento do não vivido, do não tentado...

Hoje eu sei exatamente o que ela sentiu!


A diferença é q eu apostei!
Corri e apostei.


Estava de olho no 8, pensei no oito.  Alguem me suprou no ouvido "aposte no 8", mas eu sou teimosa e apostei no 4.
Ahhh, o 4 é o meu número da sorte!  Sempre foi.
E quando eu ouvi o "no more..." joguei as fichas no 4.
...

Deu 8!
Desencontro com a sorte?
Destino?
Nao sei!
"É da vida,  meu bem" - ouvi alguém dizer. 

Vou ali ver se ainda dá pra comprar mais algumas fichas!


Volto já!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bola de Cristal

Ontem assisti a um vídeo que me chamou atenção por dizer exatamente o que eu estava pensando em escrever já há algum tempo : AS COISAS SÓ SÃO CLARAS QUANDO SÃO DITAS!
Isso aí!
Se a gente quer que alguém entenda perfeitamente o que estamos "querendo dizer", devemos DIZER! Simples assim!
Não adianta ficar achando que a pessoa entendeu, que o recado fio dado! Não!
Pessoas pensam diferente, tiveram uma educação diferente da sua, experiências diferentes, não pensam com a sua cabeça e não tem bola de cristal!
Não adianta achar que um "foi legal "  quer dizer "vamos sair de novo?"
Não! Não quer dizer!
"Foi legal" quer dizer que foi legal! ponto.
"Vamos sair de novo?" é um convite e silêncio é silêncio!
Ficar emburrado não quer dizer "estou puto com você porque você foi grosso ou não me deu atenção", assim como dar "bom dia" não quer dizer "me desculpe!"
Muita gente tem o tal botão "foda-se" e vai deixando as coisas  passarem até que elas se ajeitem ou caiam no esquecimento.
Eu não consigo! Ainda não achei no meu manual como se aciona este dispositivo.
Eu gosto das coisas explicadas, claras, e escritas se possível, para depois não dizerem que eu disse o que eu não disse!
Pode ser coisa de jornalista, ou de futura advogada, não sei...
Não tenho vergonha de perguntar de novo, de dizer "hã? Não entendi o que você querendo dizer."
Também não faço firula. Digo. Com todas as letras. Cometo sincericídios constantemente e sei que isso, muitas vezes não pega bem.
Por isso tenho tentado me policiar, avaliar o que vale a pena e estou percebendo que aí está a grande questão : até aonde vale a pena ir? Com quem realmente vale a pena argumentar, explicar, se desgastar?
Alguém sabe onde vende uma bola de cristal?
;)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Amor na Vitrine

Como já dizia Gaby Amarantos, não deve valer nem R$1,99, mas o fato é que a moda é se colocar mesmo na vitrine e, teoricamente, esperar o amor.
O Tinder é o aplicativo febre entre os solteiros.
Funciona como um mercadão mesmo. As fotos estão lá, uma breve descrição (um pouco de marketing nunca é demais) e pronto, você vai passando o catálogo até encontrar alguém interessante e "comprá-lo", se a pessoa também "comprar" a sua imagem, voilà! vocês podem conversar, incentivados por frases feitas do app como "porque ser tímido?" "está com as mãos amarradas?"  e aí a história começa.
Os meninos não tem nenhuma cerimônia em pedir o seu whatsapp como se não fosse o seu número de telefone e isso não é coisa que se dá a um estranho (?!) e te chamar para um café.
Cliquei nos que eu achava que podiam render uma boa hstória para o Rapadura e depois de explicar que eu só estava fazendo pesquisa de campo, que não ia sair com ninguém, a maioria deles abria o coração para a minha pergunta :
"Seja sincero! O que você espera do Tinder?"
Um amigo (que também está no Tinder!) me disse que o problema é que a mulherada quer namorar e os meninos só quererm transar.
A maioria só quer mesmo beijar na boca e dar umazinha. Sexo casual é o que move o aplicativo. Mas alguns disseram estar realmente abertos a um relacionamento se conhecerem alguém "legal".
Tinha um que dizia "topo dizer que a gente se conheceu em outro lugar" - o que prova que ainda há muito preconceito com relacionamentos virtuais apesar deles estarem cada vez mais presentes.
Outro jurava querer encontrar o "amor da vida", dizia estar cheio de relacionamentos vazios, mas em 3 minutos de conversa me contou que tinha tomado um pé na bunda da (vagabunda - palavras dele) ex... ou seja, estava procurando uma bengalinha.
Um outro, quando soube que eu era apirante a escritora, me disse "também sou escritor! Olha o link do meu livro" . Cliquei e lá dizia "Como enlouquecer uma mulher na cama".
Perguntei se isso não era muita pretensão e ele de bate-e-pronto respondeu "quer conferir?"
Não, obrigada!
Uma amiga conheceu uns dois ou três caras do Tinder. Se encantou com um que foi buscá-la em casa...
Peraí! Isso não é o normal ? O que se espera de alguém que quer sair com você?
Pelo visto não é mais...
As pessoas estão cada vez mais carentes e mais vazias. Dando menos, esperando menos. Se contentando e se encantando com pouquíssimo apesar de quererem mais e mais...
Tuuudooo errado!
Tô fora! Ainda estou na era do "você não tem um amigo prá me apresentar?" Com todas as referências que isso demanda.





domingo, 17 de novembro de 2013

Novelinha- insonia, LADO B

Um amigo encarnou Maurício e me mandou a versão dele do acontecido naquela noite.
Voilà!
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Havia chegado em casa não fazia 5 minutos. Tempo suficiente para deixar todas as roupas no chão, colocar um pijama e escovar os dentes. Estava com a cabeça cheia de álcool e novas ideias. Saiu para beber com os amigos e, dessa vez, ao invés de conversarem sobre futebol e mulheres, falaram de futuro e contas a pagar.  Não conseguia dormir, sua cabeça fervilhava de pensamentos que, até então, não eram típicos de sua madrugada. Esperando o sono chegar, resolveu checar as redes sociais buscando esquecê-los.
Para sua surpresa encontrou Joana online. Logo ela que sempre povoou seu imaginário, tanto pela bela lição que lhe dera há mais de uma década atrás, quanto pela fantasia que nutria de reencontrá-la ao acaso, o que nunca aconteceu. Pelo menos até 3 semanas atrás. 
O encontro resumiu-se a uma troca de “ois-quanto tempo” no calçadão da praia. Joana indiscutivelmente estava no auge de sua forma, transbordava sensualidade. Maurício, tímido e sem jeito até dizer chega, sentiu vontade de convidá-la para algo mais, um chopp, ou até mesmo um café. As palavras chegaram até sua garganta, quando despareceram, sem deixar vestígio. O encontro demorou a sair de sua cabeça.
Joana era uma lembrança de um tempo quando tudo era mais simples; uma lembrança que Maurício se agarrou e romantizou, como sempre faz, por 10 anos. Naquele tempo, o futuro era muito distante e as únicas contas que tinha para pagar eram as da cerveja e motel. A lembrança de Joanna fazia a responsabilidade dos recém-completados 30 anos sumir por alguns instantes.
-Insônia? Perguntou Maurício, quando na verdade queria ter perguntado se Joana se recordava dele como ele dela, já certo de que a resposta o decepcionaria.
-Aham, respondeu Joana para o delírio de Maurício, que, nesse momento, nunca esteve mais desperto. Seu coração acelerara.
Nos minutos que se sucederam, foi sincero como não podia ser. Falou tudo que guardou durante esse tempo. O álcool, agora, já não era mais o que corria em suas veias, que haviam sido consumidas por hormônios da luxuria.
Joana, demorou um pouco, mas se soltou. O papo esquentou, culminando em um quase encontro, já às seis da manhã. Maurício, tomado pela hiper-racionalidade que lhe aflige, simulou todos os possíveis finais desse encontro. Em todos, só havia um possível final.
Maurício não quis arriscar perder a lembrança de Joana que o acompanhou durante todo esse tempo e que agora servia de alento. O encontro ficou para o dia seguinte, que, provavelmente, não chegará mais.

RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR!

RAPADURA É DOCE MAS NÃO É MOLE NÃO !!!: FELIZ DIA DO AMOR! : Hoje é dia de São Valentim, santo que celebrava casamentos numa época em que el...